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22/04/2002

   
 
Claudio Gatti

“O meu padrasto cuidou de mim desde pequena. Ele é uma pessoa bárbara. Eu o chamo de pai até hoje”, diz Flávia

“A gente se vê uma vez por mês, desde que ele (Pelé) esteja no Brasil. A agenda dele é complicada”, diz Flávia
Claudio Gatti
Flávia Kurtz, em entrevista coletiva no salão de festas de seu prédio, quarta 10: “Eu não tornei isso público antes porque sempre tive muito carinho, respeito e amor. Não preciso de mais nada”

 

Paternidade / Flávia Kurtz
Ela é a cara do rei
A filha de Pelé revelada por Gente soube, aos 18 anos, que seu pai verdadeiro era o ídolo do futebol e aos 20 tomou coragem para procurá-lo

Cesar Guerrero

 

Todos os dias milhares de jovens estudam teatro e música e aprendem a desfilar e rebolar em cursos de atores, modelos e manequins espalhados por todo o País. No ano passado, o concurso para a escolha dos participantes do programa da rede Globo Big Brother Brasil recebeu mais de 500 mil inscrições. Vale tudo para sair do anonimato e gozar da fama nem que seja apenas por um curto espaço de tempo. Mas toda regra tem sua exceção e a morena de sorriso largo, Flávia Christina Kurtz Vieira de Carvalho, 32 anos, é um bom exemplo. Durante doze anos ela escondeu que era filha de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, atleta do século e Rei do Futebol. Flávia só resolveu assumir o ilustre parentesco depois que sua história foi revelada pelo ex-sócio e atual inimigo de seu pai, o empresário Hélio Viana, numa entrevista exclusiva à Gente. “Eu não tornei isso público antes porque sempre tive muito carinho, respeito e amor. Não preciso de mais nada”, disse Flávia em entrevista coletiva na quarta-feira 10.

Fisioterapeuta formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Flávia trabalha numa clínica de ortopedia na Zona Sul de São Paulo. “Eu não queria sofrer assédio da imprensa e ter que mudar minha vida”, diz ela. Flávia soube que era filha de Pelé quando completou 18 anos. Sua Mãe, Lenita Kurtz, manteve a história toda em segredo até que a filha tivesse condições de tomar decisões por si só. Ela foi registrada como filha de Juarez Vieira de Carvalho, que se casou com Lenita dois anos depois do nascimento de Flávia. “O meu padrasto cuidou de mim desde pequena. Ele é uma pessoa bárbara. Eu só tenho a agradecer. Eu o chamo de pai até hoje”, diz Flávia. A decisão de revelar a história em uma entrevista coletiva foi tomada em conjunto com Pelé, por telefone, na terça-feira 9. O Rei do Futebol estava na Flórida, em viagem de negócios.

O romance entre Lenita e Pelé começou quando a seleção brasileira jogou contra o time do Peru na inauguração do Estádio Beira Rio, na capital gaúcha. Era 7 de abril de 1969. O relacionamento durou pouco porque na época Pelé era casado com sua primeira mulher, Rosemeri Cholbi.
Flávia foi criada no Rio Grande do Sul e só em 1990, dois anos depois de saber a verdade, aos 20 anos, tomou coragem e decidiu conhecer o verdadeiro pai. Ela garante que foi recebida com carinho. “Desde o início o nosso encontro foi bárbaro. Foi um entrosamento supernatural”, diz. De lá para cá os dois sempre estiveram em contato. “A gente se vê uma vez por mês, desde que ele esteja no Brasil. Ele tem uma agenda complicada e eu também não vou ficar atrapalhando, né?”, conta ela. Flávia também mantém contato com a família de Pelé. Ela conhece os irmãos Jenifer, Kelly Cristina e Edinho, filhos do primeiro casamento do Rei, e os gêmeos Joshua e Celeste, filhos de Pelé com Assíria, sua atual esposa.

Dos filhos de Pelé ela só não conheceu Sandra Regina, que não tem boas relações com Pelé. “Ele nunca me deu nada e eu tive que recorrer à Justiça para garantir meus direitos”, diz Sandra, que hoje é vereadora em Santos (SP). Ela diz que gostaria de conhecer a irmã Flávia mas não quer pressionar ninguém para forçar um encontro. “As coisas têm de acontecer naturalmente. Até hoje o Pelé não conhece o meu filho Octávio, de 3 anos, e eu nunca vou forçá-lo a agir como um avô de verdade”, diz Sandra.

No dia seguinte à revelação, Flávia retomou a rotina. Acordou cedo para trabalhar na clínica de ortopedia. Os seguranças da clínica foram orientados a ficar mais atentos e as recepcionistas não repassavam ligações telefônicas. “Ela não quer que esse fato atrapalhe sua vida profissional”, disse um colega de trabalho que não quis se identificar. Por meio de uma carta à imprensa, pediu para não ser mais procurada. No apartamento onde mora, em um prédio de classe média no Morumbi, as cortinas permanecem fechadas desde quarta-feira 10, quando a história veio a tona. “Ela é uma pessoa muito discreta. Quase nunca usa a academia do prédio e sempre sai de carro, pela garagem”, diz um do porteiros do edifício onde Flávia Mora com Eduardo Spief, seu marido, no Morumbi.

Má fase do ídolo

Aparaibana Magna Aparecida Alves, 24 anos, reivindica na Justiça de São Paulo a posse sobre o apartamento onde Flávia Kurtz, a recém-revelada filha de Pelé, vive com o marido, no bairro do Morumbi. Em reportagem da revista IstoÉ, a moça afirma que foi amante de Pelé de janeiro de 1999 até fevereiro deste ano. Segundo Magna, o apartamento está registrado em seu nome no 16º Tabelião de Notas da capital. Na ocasião da entrevista coletiva concedida, a filha de Pelé não quis responder nenhuma pergunta sobre o imóvel. A assessoria de Pelé não quis se manifestar. Procurada por Gente, Assíria Lemos do Nascimento, 42 anos, casada com Pelé desde 1994, também não quis falar.

Magna nasceu em Rio Tinto, no interior da Paraíba, e veio morar em São Paulo, em 1997, em companhia da irmã, Luciana. Ela conheceu Pelé por intermédio de um amigo quando trabalhava como garçonete em uma boate da capital paulista. Magna revelou também o conteúdo de uma fita onde ela discute com Pelé sobre o apartamento. Num dos trechos da gravação, Pelé propõe que a moça procure um cirurgião para reconstituir sua virgindade.

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