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08/04/2002

   
 
Claudio Gatti

Brant: jeito brasileiro de mostrar violência e ação

 

Cinema
Matador das telas
Com seu terceiro filme, O Invasor, Beto
Brant consagra-se como um dos melhores cineastas do País

Mariane Morisawa


Se você é do tipo que costuma passar longe das salas que exibem filmes nacionais, provavelmente não conhece ainda o trabalho do paulista Beto Brant. Aos 37 anos e com apenas três obras no currículo, ele é considerado um dos melhores cineastas da nova geração. Brant consegue fazer suspense e colocar muita ação na tela como os americanos, mas sempre com uma inconfundível cara brasileira. Com um cinema contundente, inventivo e barato, o diretor tem recebido prêmios importantes. O Invasor, que chega aos cinemas na sexta-feira 5 (leia resenha), levou os troféus de direção e de ator revelação para Paulo Miklos em Brasília e de melhor filme latino-americano no Sundance Festival.

Nascido em Jundiaí, no interior paulista, Beto Brant foi pequeno para São Paulo. Teve a oportunidade, na adolescência, de freqüentar o fervilhante circuito de cineclubes da cidade. “Mas nunca fui cinéfilo, de ficar decorando nomes e datas”, diz. Tanto que ele escolheu cinema apenas após dois anos do curso de Comunicação Social. Nesse período, foi apresentado ao super-8 por um amigo e se apaixonou. Juntando isso com o apoio da família, principalmente da mãe, que sempre gostou de cinema e é atriz amadora de teatro, formou-se um cineasta.

Já nos primeiros curtas colheu elogios, principalmente em Dové Meneghetti, de 1989. Na época, Brant firmou parceria com Renato Ciasca, que produz seus filmes até hoje. O cineasta é dado a longos casamentos no trabalho e na vida – é casado e tem dois filhos. Estabeleceu ainda uma união duradoura com o escritor Marçal Aquino, que até hoje abastece o diretor com idéias. Assim nasceram Os Matadores -- sua celebrada estréia, estrelada por Murilo Benício, Maria Padilha e Chico Diaz -- e Ação entre Amigos. Na hora de pensar no terceiro filme, novamente buscou o escritor. “Banda não pode ficar 20 anos junta? O Marçal é meu parceiro e pronto”, afirma Brant.

Apesar de ser um ás atrás das câmeras, Beto Brant não é desenvolto na frente delas. Fez cursos de teatro, mas sente-se pouco confortável até para tirar fotografias. E também para dar entrevistas. “Ele é um pouco fechado, não é de falar, mas é muito camarada”, afirma Paulo Miklos, que se revelou um grande ator nas mãos de Brant. “Beto é caladão, porém ótima gente”, confirma Marco Ricca, que atuou em O Invasor. Mas o estilo fechado não atrapalha. Todo mundo quer trabalhar com Beto Brant. Tanto que ele reuniu um elenco de peso para O Invasor. Além de Miklos e Ricca, juntou Alexandre Borges, Mariana Ximenes e Malu Mader num papel pequeno. “Quando soube que Malu estava interessada, fiquei preocupado, porque figurão quer papel grandão. Mas ela topou mesmo assim”, conta.

Orçamento curto Brant garante que nenhuma das escolhas foi feita pensando na bilheteria do filme. “O cinema precisa falar com os outros, mas nunca abri mão de nada para tornar meu filme mais popular”, diz. Beto Brant defende um cinema crítico. “O cineasta paulista está menos compromissado em fazer um produto vendável. Isso às vezes dificulta para conseguir recursos, mas é a nossa opção”, afirma, enquanto cutuca diretores do Rio de Janeiro, de onde sai a maior parte da produção comercial – Xuxa, Trapalhões e comédias românticas. No entanto, Beto não chora o orçamento curto e reconhece que os prêmios e críticas que coleciona ajudam. “Assim todo mundo sabe que não vou sumir com o dinheiro.” Mais um tiro certeiro do cineasta.

Os filmes de Beto Brant
Os Matadores 1997
(disponível em vídeo)

Ação entre Amigos 1998
(disponível em vídeo)

O Invasor 2002
(nos cinemas a partir de 5 de abril)

 

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