08 de novembro de 1999
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Por onde anda

Virada radical de ValÚria Zoppello
Piloto de corridas, aspirante a atriz e praticante de esportes radicais, a namorada do Dinho, do Mamonas Assassinas, quer deixar de ser vi˙va do cantor

Rodrigo Cardoso

Foto: Edu Lopes

No início do ano, a adrenalina tomou conta da vida de Valéria Zoppello. A modelo, que ganhou notoriedade ao namorar o cantor Dinho, da banda Mamonas Assassinas, morto em 1996, terminou um relacionamento de dois anos com um médico. "Vou passar o réveillon na Costa Rica", decretou. "Lá rola muito esporte, calor e homem bonito". Ao espalhar a novidade para amigos - muitos, como ela, praticantes de esportes radicais -, surpreendeu-se com a empolgação deles e, há quatro meses, passou a organizar uma expedição para a América Central. Ela e mais nove esportistas de diferentes áreas irão praticar rafting e bungee-jump em montanhas, trekking em parques nacionais, escalada em vulcões, surfe e mergulho. Serão 35 dias de aventuras. Valéria deve produzir um livro, um guia turístico e um documentário, que será exibido no programa H, da Rede Bandeirantes. "Quero surpreender e acabar de vez com o estigma de namorada do Dinho", diz ela.

Para cumprir essa promessa, Valéria, 25 anos, sai toda manhã em busca de patrocínio para a viagem, orçada em R$ 200 mil. À tarde, treina como piloto de Corsa no Autódromo de Interlagos, a contragosto da mãe. "Os filhos são emprestados. Depois de uma certa idade, não são mais da gente", conforma-se Inês Dias Zoppello, 64 anos. Para fechar o dia, Valéria faz aulas de teatro. "Não quero ser a gostosinha que faz uma coisa aqui e outra ali, quero criar uma imagem para o resto da vida" diz.

Valéria é uma antiestrela que não quis brilhar pegando carona na fama do namorado famoso. Depois da morte de Dinho, recusou-se a posar nua e revelar suas intimidades em livro. Preferiu traçar o próprio caminho e, hoje, se articula para produzir documentários sobre turismo alternativo. "Achei melhor me afastar da mídia, entender o que queria." Mesmo longe dos holofotes, chegou a receber 50 cartas por dia. "As pessoas me procuravam para chorar e eu tinha de acalmá-las. Hoje, tenho nome e sobrenome e dou autógrafos", diz.
Valéria até que tentou ser estrela de tevê. Em 1997, apresentou o Match, um programa de esportes radicais na Bandeirantes. "Era uma droga", reconhece. Deslocada para o Brasil Verdade, também da Band, abandonou o barco logo na estréia. "Tinha um ponto no ouvido e o diretor ficava berrando o tempo todo comigo." Também se frustrou no Domingo Legal, do SBT, apresentado por Gugu Liberato. Convidada para falar sobre seus projetos, viu-se numa situação constrangedora, ao vivo. "Pessoas me faziam perguntas idiotas do tipo: 'O Dinho era louco na cama, como no palco?' Pô, meu noivo estava do meu lado. Abandonei o estúdio", conta. Ao chegar em casa, teve uma crise de choro e quebrou um cinzeiro na parede.

Estar afastada das telas não a livrou do assédio. Há dois meses, foi procurada por um homem que se dizia ladrão de banco e queria patrociná-la nas corridas. "Ele tinha o número da minha conta e disse que não queria nada em troca", diz. Não é a primeira vez que ela se vê às voltas com um assaltante. Recentemente, um rapaz tentou roubá-la num sinal de trânsito. Mesmo com um canivete no pescoço, Valéria derrubou o agressor com um soco no queixo - por 11 anos, ela lutou caratê e chegou a ser campeã brasileira.

Envie esta pßgina para um amigoValéria também já foi vendedora em loja de surfe, modelo e guia turístico na Disney. Na época em que conheceu Dinho, namorava com um americano. Foi o cantor quem pôs fim ao relacionamento: "Um dia o americano ligou em casa e o Dinho atendeu: 'Olha, cara, eu não sei falar a sua língua, mas ela não vai voltar para aí, está entendendo?'", conta. Apesar de querer se livrar do estigma de "viúva", Valéria diz que para manter Dinho vivo em sua lembrança guarda até hoje roupas e bilhetes do cantor - e ri toda vez que fala dele.

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