08 de novembro de 1999
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Carreira

Oposição dentro de casa
Recuperado de uma apendicite, o ator Pedro Cardoso, primo do presidente FHC, estréia peça e prepara-se para novas gravações do programa do PT

Luís Edmundo Araújo

Foto: Leandro Pimentel

O ator Pedro Cardoso, 37 anos, sempre participou de programas políticos do Partido dos Trabalhadores (PT), desde a primeira campanha presidencial, em 1989. Simpatizante do partido, nunca deixou de votar nos candidatos petistas. Primo de segundo grau e amigo do presidente Fernando Henrique Cardoso, o ator garante que não existe constrangimento na família por causa de suas posições políticas. "O espírito democrático na nossa família é anterior às opções partidárias", afirma. Cuidadoso, Pedro só não admite ser usado como instrumento contra o primo. "Podem tentar criar um fato político contra o Fernando Henrique por ele ter um primo que não o apóia", diz. "Isso seria deslealdade."

Nos programas políticos do partido, ele já fez de tudo, desde simples aparições até a coordenação de programas, entre 1994 e 1998. Autor teatral e de textos para programas humorísticos dos quais também participa como ator, nos programas do PT Pedro prefere criar nos bastidores a apenas mostrar a cara na tela. Ele lembra com orgulho a idéia que teve, com o ator Antônio Grassi, nos preparativos para a campanha presidencial de Lula, no ano passado, de deixar a tela preta durante cinco minutos para que as pessoas pensassem no que tinham visto. "A tevê despeja muita informação e não deixa as pessoas pensarem", justifica o ator, que não é filiado ao PT.

Enquanto prepara novos roteiros para o programa do partido, Pedro Cardoso retoma a temporada carioca da peça Os Ignorantes, um monólogo no qual, entre outros personagens, interpreta um garoto atingido por uma bala perdida. A peça, em cartaz no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, é uma comédia sobre a violência em que o autor tenta definir o sentido da palavra ignorância. "Quero tratar da gênese das atitudes violentas", resume.

Os Ignorantes é o segundo monólogo de Pedro. O primeiro foi Auto-Falante. O autor também escreveu Fora de Si, em parceria com Ricardo Bandeira, e outras cinco peças, todas em parceria com o amigo Felipe Pinheiro, morto em 1993: Bar Doce Bar, A porta, C de Canastra, Nada e A Macaca. Como ator, Pedro Cardoso acumula 30 peças desde que iniciou a carreira, em 1980. Na televisão, os principais trabalhos de representação foram a novela Pátria Minha, em 1995, e a minissérie Anos Rebeldes, em 1992. Como humorista, atuou em TV Pirata, A Vida ao Vivo, que ficou oito meses no ar em horário nobre, e A Vida Como Ela É, crônicas do cotidiano no Fantástico, e está no ar com o Zorra Total.

Às vésperas de estrear a peça, Pedro Cardoso teve uma crise de apendicite. Casado com Maristela e pai de Luiza, 10 anos, e Maria, 4, precisou ser operado com urgência na terça-feira 19, no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul do Rio. Ele chegou ao hospital às 8 horas e foi submetido a cirurgia por videolaparoscopia (em que é utilizada uma sonda com equipamento de vídeo) feita pelo médico José Ribamar Sabóia, duas horas depois. No dia seguinte, o ator recebeu alta. E foi se recuperar em casa. Mas teve que adiar a estréia do espetáculo, marcada para 22 de outubro, para o dia 29.

Envie esta página para um amigoNa televisão, o projeto de Pedro Cardoso é manter o quadro Manual de Instrução no Zorra Total, em que trata a vida como uma matéria a ser ensinada. "Estou dirigindo e escrevendo com liberdade", afirma. Responsável por textos de programas como TV Pirata, Programa Legal e Comédia da Vida Privada, Pedro diz estar atravessando um momento de indefinição. "Não tenho cartas na manga", diz o ator, que não pensa em fazer um programa sozinho. "Gostaria de dividir um programa, mas não pensei em nada."

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