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04/03/2002

   
Felipe Barra

“Nos últimos 8 anos
o PMDB ajudou o governo num papel subalterno. Na eleição de 1998 não usamos nem o horário de tevê a que tínhamos direito’’

Moreira Franco

 

Política / Moreira Franco
No xadrez da sucessão
Com a missão de unir o PMDB, o ex-governador do Rio e ex-secretário particular da Presidência lança novo programa de governo do partido e fará de tudo para arrastá-lo para a campanha de José Serra

Cecília Maia


Desde que deixou o cargo de secretário particular da Presidência da República, em novembro, o atual presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, 57 anos, assumiu uma das missões mais difíceis de seus 27 anos de carreira política: unir o esfacelado PMDB. Ao lado do presidente do partido, o deputado Michel Temer, Moreira tem passado horas de seus dias debruçado sobre esse jogo de xadrez que contraditoriamente faz o maior partido do País, base de apoio do governo, não ter poder sequer para barganhar espaço político. “Nos últimos 8 anos o PMDB ajudou o governo num papel subalterno. Na eleição de 1998 não usamos nem o horário de tevê a que tínhamos direito”, diz. “Temos que ter humildade para reconhecer o erro e grandeza para não repeti-lo.”

Para mudar o jogo, a primeira peça foi deslocada. Na tarde de terça-feira 26, Moreira se preparava para lançar no dia seguinte o novo programa de governo do partido. Sob o lema “Tirando o atraso – combater as desigualdades já!”, o documento propõe o fim da miséria no País em resumidas 13 páginas. Com ele, Moreira espera sensibilizar companheiros e dar um norte ao PMDB. O desafio é grande. Afinal, dentro do partido há três pré-candidatos à Presidência da República, o governador Itamar Franco, o ministro Raul Jungmam e o senador Pedro Simon, que trazem consigo grupos distintos de apoio. Sem falar naqueles que simpatizam com candidaturas de outros partidos.

E mais: o próprio Moreira compartilha a sigla com seu inimigo histórico, o senador José Sarney. Quando governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco se desentendeu seriamente com o então presidente da República. Amargou por isso quatro anos de um governo escasso em verbas federais. Foi o que, segundo ele, o impediu de realizar promessas de campanha, como a ampliação do metrô e as construções da linha amarela e do pólo petroquímico de Campos, obras executadas pelo seu sucessor, Leonel Brizola. Mas, com a frieza de um articulador experiente, ele se encontrou na sexta-feira, 22, com a filha do seu adversário, Roseana Sarney. “Foi uma conversa agradável. Ela fez uma análise do quadro político e reafirmou a irreversibilidade de sua candidatura. Eu disse que o PMDB não pode dizer nada antes da pré-convenção em 17 de março”, resumiu ele, largando elogios à candidata do PFL.

Os que acompanham os bastidores da política, no entanto, sabem que Moreira fará de tudo para arrastar o partido para o outro lado: o de Serra. Fiel ao presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem ajudou nas articulações políticas mais difíceis, e amigo de José Serra desde quando militava nos movimentos secundaristas, Moreira não esconde a simpatia pelo ex-companheiro de governo. “Ele era presidente da União Nacional dos Estudantes e estávamos sempre juntos. E mantivemos a amizade”, diz.

Nesse jogo complicado de xadrez, Moreira usa e abusa de sua melhor qualidade: a conversa. A mesma que fez com que circulasse entre as mais altas rodas políticas da história recente do País. Piauiense, filho de família simples, ele se formou em economia e sociologia no Rio de Janeiro, onde conheceu sua primeira esposa Celina do Amaral Peixoto, com quem teve três filhos: Bento, Alice e Pedro. Era um esquerdista combativo do movimento estudantil mas se tornou menos radical por influência de seu ex-sogro, o almirante Amaral Peixoto. Em 1975 ingressou no MDB, partido pelo qual foi eleito deputado federal por duas vezes, prefeito de Niterói e governador do Rio de Janeiro. Dono de hábitos finos, apreciador de bons vinhos, está casado com Clara Maria de Vasconcelos Torres Moreira Franco. Organizado e metódico, Moreira não é dos grandes apreciadores de Carnaval, embora se considere um carioca da gema. Mas sabe sambar como poucos no jogo do poder.

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