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Loro
Jones, guitarrista do Capital Inicial, abandona a banda
Carolina
Bardawil, de Brasília
| Felipe
Barra |
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Unida
há 20 anos, a banda de rock Capital Inicial sofreu um duro
desfalque. O guitarrista Loro Jones, de 39 anos, se desligou do
grupo. Voltou para Brasília, sua cidade de origem, para colocar
em prática outros projetos pessoais. Cansado do ritmo exaustivo
imposto pela indústria fonográfica, Jones contou os
motivos da decisão a Gente.
Por
que você saiu da banda?
As pessoas acham que o músico tem uma vida fácil,
legal e tranqüila. Sobe no palco, ganha o dinheirinho dele
e vai embora. Não tem nada disso. Sabe quando eu via a minha
família? Nunca. Fiquei quase dois anos sem ver o meu filho,
minha mãe e meus irmãos. Não tinha tempo para
dirigir minha motocicleta, para meus amigos e projetos pessoais.
A vida girava em torno de empresário, gravadoras e cumprimentos
de metas e contratos. Dou tchau para todos, que sejam felizes e
não me encham o saco.
Você brigou com os outros integrantes da banda?
Não saí brigado com ninguém, saí
porque quis. Todos eles têm talento, merecem o lugar onde
estão. A única mágoa que eu tenho é
a banda não ter entendido minha decisão. Já
havia comunicado a todos, já havia avisado: Meu irmão,
vamos diminuir. Não vamos virar arroz de festa. Estava
estafado, me isolei, fui para um spa. Fiz tratamento ortomolecular,
limpeza de sangue, aquelas coisas todas. Não porque sou drogado
ou doido, não. Mas porque quero ficar quieto numa boa. Quero
tempo para compor.
Mas
o objetivo de uma banda não é vender muitos discos,
fazer muitos shows?
Eu vivo com pouco e sou feliz. Quero aproveitar o que construí.
Quero ver meu filho crescer, nadar e passear na chácara com
ele. Eu não fazia nada disso, era um fantoche dentro dessa
indústria toda.
Sua
saída será uma grande perda para a banda?
Lógico. Eu formei a banda. São vinte anos de
Capital Inicial e a grande maioria das músicas são
minhas. Gosto de compor, mas a banda não estava mais criando,
só vendendo discos e fazendo o que as gravadoras pediam.
O
que você vai fazer agora?
Quero montar um estúdio e trabalhar com as bandas novas
aqui de Brasília. Quero investir na cidade. Pretendo fazer
um CD com um livro, que já está quase pronto, chamado
Almanaque do Além. Vou também gravar acústicos
sinfônicos com amigos da Orquestra Sinfônica de Brasília.
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