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25/02/2002
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CARNAVAL
Vitória de dona Zica da Mangueira
Aos 89 anos, a viúva de Cartola comemora
campeonato
da Mangueira, recupera-se de um edema pulmonar e
supera frustração de não ter desfilado como campeã confiante no
título em 2003
Eduardo
Minc
| Leandro
Pimentel |
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Estava
tudo acertado, mas a chuva que insistiu em atrapalhar o desfile
das Escolas Campeãs, adiou também o sonho de dona
Zica, 89 anos, viúva de Cartola e uma das representantes
mais ilustres da Mangueira, de comemorar o título de campeã
do Carnaval deste ano na noite do sábado 16, na Marquês
de Sapucaí. Poucas horas antes do desfile, a sambista teve
alta da Clínica São Vítor, na Tijuca, onde
ficara internada por uma semana, vítima de um edema pulmonar.
Mesmo autorizada por seu cardiologista a atravessar a avenida no
alto de um carro alegórico, os planos tiveram de ser mudados
na última hora. Sou Mangueira até debaixo dágua,
mas preferi ver na tevê. Quero ter saúde para ser bicampeã
em 2003, disse dona Zica, que foi aconselhada a ver o desfile
em casa para evitar uma recaída.
| Leandro
Pimentel |
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| Unhas
pintadas de verde e rosa: estava tudo pronto para o desfile
das campeãs |
Dona
Zica não escondeu a frustração. Afinal, já
estava em contagem regressiva: pintara as unhas de verde e rosa,
o terninho, nas mesmas cores, estava impecavelmente passado sobre
a cama, e a letra do samba, na ponta da língua. Por isso,
um dia após a apresentação das campeãs
ainda estava emocionada. Toda hora tinha que enxugar uma lágrima
que teimava em escorrer pelo meu rosto, disse.
| Leandro
Pimentel |
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| Com
a filha Regina, ainda na clínica |
A frustração
de dona Zica começou na sexta-feira 8, véspera de
Carnaval, quando desfilava com a escola mirim Mangueira do Amanhã.
Fiquei tonta de repente, contou. Um dia depois foi internada
na Clínica São Vítor. Acompanhada da filha
Regina Nogueira, ela viu o desfile da Mangueira na CTI cercada de
uma junta médica. Quando vi as baianas, virei a cabeça
para o lado e ameacei gritar: É campeã!
Aí lembrei que estava sem forças, relatou dona
Zica, que não desgrudava os olhos da tevê. Ao terminar
o desfile, não tinha dúvidas que o título seria
da Verde e Rosa. Este ano não vai ter pra ninguém,
pressentiu. Desde 1998, a Mangueira não era campeã.
| L.
M. Ricardo |
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| Após
a alta, no sábado 16, expectativa para o desfile |
Dona
Zica não consegue pensar na escola sem lembrar do marido,
morto há 22 anos e um dos fundadores da agremiação,
em 1928. Ela se recorda com nostalgia dos tempos em que conheceu
Cartola, com quem se casou em 1964. Para a filha Regina, não
havia nada mais lindo do que ver o casal de sambistas no ensaio
da Mangueira. Ele era compositor e ela desfilava como baiana.
Mas ambos dançavam juntinhos a noite toda, conta Regina.
| L.
M. Ricardo |
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| Recepção
calorosa no morro da Mangueira: “Quero ter saúde para ser bicampeã
em 2003”, disse dona Zica |
Bem-humorada
ao sair da Clínica, dona Zica disse que não foram
os medicamentos os responsáveis por sua recuperação.
O que me curou foi o campeonato da Mangueira, brincou.
Mesmo feliz com o resultado, ela não se conformou com algumas
notas que foram dadas à escola. Ela assistiu ao resultado
da apuração, na Quarta-feira de Cinzas, em seu quarto
na clínica. Foi um absurdo não terem dado 10
para nossas alegorias e adereços, reclamou. Mas a cada
nota 10 ela erguia os braços e fazia o V da vitória.
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