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25/02/2002
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PROFISSÃO
MARCELO
BERÉ
Doutor em palhaçada
Conhecido como o palhaço Gorgônio
do grupo brasiliense Udi Grudi, o artista defenderá tese
de doutorado sobre a antropologia do palhaço, baseado em
seus 20 anos de circo
Cecília
Maia
| Felipe
Barra |
 |
| O
que é que o palhaço tem: Quero provar que
o que ri no ser humano é divino, porque eu acredito que
Deus ri, diz Marcelo (ao centro, de branco), ao lado de
Luciano Porto (deitado), Luciano Astikos e Márcio Vieira
(à dir.) |
Quando
um pequeno paciente do hospital Sarah Kubitschek, com sérios
problemas neurológicos, tentou segurar a ema de madeira manipulada
pelo palhaço Rapadura, que já ia embora, Luciano Porto
chorou. Chorou copiosamente ao lado da mãe do menino, que
nunca tinha visto seu filho se interessar por nada. Foi em 1993.
Luciano, 39 anos, casado e pai de dois filhos, não sabe o
nome do menino ou da mãe, mas nunca se esqueceu da cena.
Foi a coisa mais emocionante que vivi, diz ele. Luciano
Astikos, 40 anos, o palhaço Xaxará, também
guarda na memória o rosto de 12 ex-meninos de rua que se
tornaram artistas por sua causa. Ele coordenou um projeto para ensinar
a arte circense às crianças de rua. Dos 120 meninos,
12 se apresentaram na Eco 92, no Rio de Janeiro. Eles estão
por aí, em circos e teatros espalhados pelo País,
conta. E Marcelo Beré, 41 anos, o palhaço Gorgônio,
exibe na estante a medalha Mérito Educacional 94, concedida
pelo Governo do Distrito Federal por ter introduzido técnicas
de circo aos alunos da rede pública. Ensinei malabarismo
com meditação. O resultado foi incrível,
revela.
| Reprodução |
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| Palhaçada
na escola: técnicas para alunos da rede pública |
Mas
afinal, o que é que o palhaço tem? A pergunta também
está na cabeça de Marcelo Beré, que por conta
da dúvida resolveu defender uma tese de doutorado: a antropologia
do palhaço. Mestrado sobre palhaçada ele já
fez em Londres. Agora quer discutir o assunto na Universidade de
Nova York. No momento estou estudando os palhaços de
Shakespeare, conta Marcelo, casado e pai de dois filhos. Mas
o grosso da tese está baseado na experiência de 20
anos do grupo brasiliense Circo Teatro Udi Grudi ao qual pertencem.
Grupo que influenciou
| Reprodução |
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| Palhaçada
no teatro: circo com representação dramática |
toda
uma geração de Brasília. Não há
um só jovem à beira da segunda década de vida,
da periferia ou não, que não se lembre deles. Pudera.
O Udi Grudi começou fazendo graça em festas de aniversário,
nas quadras, nas escolas e nos hospitais. Em 1986, conseguiu adquirir
a tão sonhada lona. Saímos fazendo e pesquisando
as origens do circo. Descobrimos que no início do século,
no Brasil, o espetáculo tinha duas partes: na primeira, tradicional,
e na segunda, uma representação dramática,
explica Marcelo.
| Reprodução |
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| Palhaçada
na calçada: curso para 120 meninos de rua |
Foi
assim que eles começaram a fazer o circo-teatro, hoje conhecido
como o novo circo. Somos dos primeiros grupos e um dos mais
antigos dessa nova tendência, explicam. Eles cantam,
dançam, fazem mímica, palhaçadas e contam histórias.
Já contaram muitas, colecionaram prêmios, mas a última
montagem mudou a vida desses palhaços candangos. A criação
coletiva O Cano, que inclui a participação
do palhaço Mació, Márcio Vieira, 42 anos, um
especialista em criar instrumentos de sucatas, os jogou literalmente
no
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| Palhaçada
no Palácio: a trupe em apresentação para
o presidente Fernando Henrique e a primeira-dama Ruth Cardoso
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mundo.
A convite de um produtor, se apresentaram em 2000 no festival de
Edimburgo, Inglaterra, e ganharam o prêmio Angel. Resultado:
milhares de convites. Passaram oito meses na Europa, rodaram 80
mil quilômetros e se apresentaram em seis países. Em
dezembro, fizeram uma apresentação na festa de fim
de ano no Palácio da Alvorada, com a presença do presidente
Fernando Henrique Cardoso. Agora estão novamente de malas
prontas. Vão para a Espanha e em agosto para a China. Nessa
maratona, Marcelo coleciona mais argumentos para a sua tese. Quero
provar que o que ri no ser humano é divino, porque eu acredito
que Deus ri,
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