|

O
Avarento
Aos 81 anos, o ator Jorge Dória dá toques
de Zorra
Total ao texto clássico do francês Molière, escrito em 1668
Marina
Monzillo
| Divulgação |
 |
|
O Avarento: excesso de cacos de mau gosto prejudicam
ótima peça de Molière |
Durante
os aplausos, ao final da apresentação de O Avarento,
o ator Jorge Dória conversa com a platéia e explica
que muitas das piadas que acabaram de provocar tanto riso não
foram escritas por Molière (1622-1673), mas, se o autor fosse
vivo, estaria orgulhoso da peça.
É
uma justificativa pelo fato de Dória e o diretor, João
Bethencourt, terem mexido tanto e incluído vários
cacos na comédia do dramaturgo francês. Na história,
o sovina Harpagão (Dória) cria confusões ao
querer casar a filha, apaixonada por um falso criado, com um velho,
porém rico senhor. De olho no dote, Harpagão pretende
se casar também ele próprio, com uma jovem vizinha,
sem saber que essa é a paixão de seu filho.
Atualizar
textos clássicos é comum em diversas montagens. O
resultado pode ser maravilhoso e criativo ou um verdadeiro sacrilégio.
Infelizmente, o espetáculo em cartaz em São Paulo
se inclui no segundo tipo.
O
texto de Molière é sagaz, engraçado, crítico
e vale o ingresso. Mas as inserções acabam fazendo
a encenação tomar cara de quadro do Zorra Total,
o humorístico da Globo do qual o veterano ator participa.
Quem
gosta desse tipo de riso previsível, sem um pingo de sutileza,
talvez ache O Avarento uma peça e tanto. Quem gosta de um
humor mais refinado vai lamentar que todo o potencial do texto fique
perdido entre piadas exageradas. Esbanjador de cacos
Teatro
Hilton
Av. Ipiranga, 165, São Paulo, tel. (11) 3259-6508.
Até 31/3.
|