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O
Assassino Cego
Vencedor do Booker Prize em 2000 traz habilidosa trama
Cristian
Avello Cancino
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Divulgação
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| Margaret
Atwood: três dezenas de livros escritos e prêmio aos 62 anos
de idade |
Já
disse Oscar Wilde que na arte primeiro deve vir a forma, depois
o sentimento. É discutível, mas houve muitos
que lhe deram razão e outros muitos que discordaram. Em O
Assassino Cego (Rocco, 496 págs., R$ 45), publicado 100
anos após a morte de Wilde, o que primeiro chama a atenção
é justamente a forma. O livro de Margaret Atwood contém
um outro livro dentro de si, cujo título é homônimo
ao romance de Atwood, mas que foi escrito pela irmã da protagonista
Iris, Laura Griffen.
Com
esse romance sobre um romance, Atwood abocanhou o Booker Prize 2000,
um dos mais prestigiados prêmios da literatura inglesa. Aos
62 anos, a autora escreveu mais de três dezenas de livros,
incluindo coletâneas de poesia e histórias infantis,
de modo que o prêmio não foi propriamente uma surpresa.
Mas Atwood parece chegar à plenitude de sua produção
com O Assassino Cego. Além da ficção
científica escrita por Laura, o livro de Atwood traz a história
de Iris, uma octogenária mulher que fala com frieza sobre
a sua vida e sobre a sombra que a irmã romancista projetou
em sua existência. Outro recurso usado na narrativa são
as notícias de jornal, que amarram, insuspeitas, as subtramas
do romance. Agora, se depois desse deslumbrante quebra-cabeça
formal sobra algum sentimento... Cabe à sensibilidade de
cada leitor compreender. Livro dentro do livro
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