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| ROBERTO
DINAMITE |
04/02/2002
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“Eurico
Miranda acha que é o dono do mundo”
Maior ídolo do Vasco, o ex-jogador critica o atual presidente do
clube, pensa em sucedê-lo e diz que ano de Copa do Mundo não é para
experiências
Luís
Edmundo Araújo
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Leandro Pimentel
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| “Se
eu quisesse aparecer, poderia gritar para a torcida que o presidente
do Vasco estava me expulsando”, diz Dinamite |
Na
tarde do domingo, 20 o deputado estadual pelo PMDB, Carlos Roberto
de Oliveira, 47 anos, assistia ao jogo do Vasco contra a Ponte Preta,
no Rio de Janeiro, pela abertura do torneio Rio-São Paulo.
Convidado pelo presidente de honra do Vasco, Antônio Soares
Calçada, o deputado levou o filho Rodrigo, 9 anos, para sentar-se
na tribuna de honra do estádio de São Januário.
No intervalo do jogo, pai e filho tiveram de deixar a tribuna. Tinham
sido expulsos a mando do presidente do Vasco, o deputado federal
Eurico Miranda, que ignorara o convite de Calçada, e alegara
que os dois precisavam de credenciais para estar lá.
O
episódio seria apenas mais um gesto autoritário do
polêmico cartola vascaíno se o deputado estadual expulso
não fosse Roberto Dinamite, principal ídolo e maior
artilheiro da história do Vasco da Gama, com mais de 750
gols marcados nos 20 anos em que defendeu a camisa 10 do clube.
Antigo aliado de Eurico, em quem votou para presidente do Vasco,
em 2000, o ex-craque não tem dúvidas de que desagradou
o cartola ao criticar a decisão de aposentar a camisa 11
do Vasco, em homenagem a Romário, anunciada por Eurico três
dias antes da expulsão da tribuna de honra. Roberto disse
que não tinha dinheiro pra dar ao clube, numa alusão
à declaração de Eurico, que justificou o gesto
com o argumento de que Romário ajudava o Vasco dentro e fora
de campo. O pai de Luciana, 27, Tatiana, 23, Roberta, 12, e Rodrigo
pensa em se candidatar à presidência do clube e sabe
quem será seu principal adversário. A eleição
é só em 2003, mas o Eurico está criando uma
situação ruim pra ele .
Você
esperava ser expulso da tribuna do Vasco algum dia?
Não. Estava chegando no Vasco e ia para o lugar onde eu sempre
fico, um pouco atrás da tribuna. Aí o seu Calçada
me chamou. Pra mim é indiferente, mas, até por uma
questão de educação, aceitei o convite. Quando
sentei, o Calçada falou que uma funcionária ficou
surpresa com o convite que ele tinha me feito, que tinha uma ordem
pra eu não ficar ali. Quer dizer, já existia uma ordem.
Porque
ninguém no estádio impediu essa expulsão?
Quase ninguém percebeu. Estava no bar, numa área reservada
da tribuna, quando fui informado que tinha de sair. Se eu fosse
um cara meio sacana, que quisesse aparecer, poderia chutar o balde
e gritar para a torcida que o presidente do Vasco estava me expulsando.
Todo mundo iria ficar sabendo e ia criar uma confusão. Poderia
ter uma reação. Também podia dizer que não
iria sair, mas não é o meu perfil.
Como
seu filho reagiu?
Pensei que ele não tivesse percebido, mas depois ele falou
pra mãe (Liliane, 36, mulher de Roberto): Pô,
mãe, eu e meu pai pagamos o maior mico. Fomos sentar lá
na tribuna e o cara mandou a gente sair. Foi isso que me deixou
mais mexido em toda essa história. Meu filho se chama Rodrigo
Dinamite, tá registrado esse nome. E, pode acontecer ou não,
mas ele tem o sonho de virar jogador do Vasco. Ele sempre fala comigo,
até me sacaneando: Pai, você fez só 750
gols? Vou fazer muito mais.
próxima
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