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“Não
peguei aids por sorte”
O cantor lança disco, critica Lulu Santos e Gilberto Gil, narra
sua viagem ao mundo das drogas e do sexo livre e conta que se tornou
amigo de bandidos quando esteve preso
Vivianne
Cohen
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Leandro Pimentel
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| “Eu
fumo maconha. Tenho 44 anos e leio proficuamente. Vão dizer
que tenho menos neurônio do que alguém? Quero ver”, provoca
Lobão, que há dez anos deixou a cocaína |
Não
é difícil definir João Luís Woerdenbag,
o Lobão. Ele é arrogante, egocêntrico, esnobe.
A melhor definição, contudo, parte do próprio.
Sou um traidor, diz. Ex-baterista e um dos fundadores
da Blitz, largou a banda no auge em 1982 para seguir carreira solo.
Quatro anos mais tarde, fez do disco O Rock Errou uma crítica
à sua geração, que marcou o rock nacional.
Na vida familiar, saiu de casa aos 17 anos brigado com o pai
e até hoje pouco se falam e prefere ficar perto dos
sobrinhos e não da filha, Júlia, 13 anos, fruto de
um relacionamento passageiro. Só nos vemos a cada quatro
anos, diz ele, casado há 11 anos com Regina Lopes.
Lobão só não trai o que pensa. Aos 44 anos,
continua firme em sua propalada cruzada contra as gravadoras. Fundou
sua própria gravadora, a Universo Paralelo Records, e acaba
de lançar o CD Uma Odisséia no Universo Paralelo,
gravado ao vivo (leia
resenha). O disco será vendido em bancas após
a bem-sucedida trajetória de A Vida É Doce
(100 mil cópias), seu trabalho anterior. Vou vender
mais de 300 mil discos, aposta.
Você
sempre criticou os discos ao vivo. Por que resolveu lançar
um?
Sou amplamente reconhecido pelo meu trabalho na década de
80, mas tenho que afirmar o da década de 90, porque ele foi
boicotado, exilado. Então é mais do que natural fazer
um disco ao vivo, que tem um apelo maior em termos de vendagem,
botar a R$ 11,90 e colocar duas inéditas para tocar. Vou
mandar um CD autografado para as rádios. Não posso
me ouvir no rádio. Isso prova que no Brasil não há
liberdade de expressão. Estou jogando xadrez com esses caras
desde que foi lançado o A Vida É Doce e esse
aqui é meu xeque-mate. Agora, tá todo mundo esperando
que toque. A maioria dos discos é cerceada pelas gravadoras.
Há artistas, principalmente os mais novos, que sofrem ingerência
direta para mudar o repertório. Estou lutando contra isso,
não contra o disco ao vivo. Estou numa guerra.
Por
que você não aderiu à campanha das gravadoras
contra a pirataria?
Tem maior pirataria do que um disco custar 20 reais sem estar numerado
e o artista ganhar cinco centavos e ser expulso da gravadora se
não vender o que eles querem? Roubam o público, o
artista e vão para a televisão pedir cuidado com a
pirataria. Sou contra a pirataria, senão não teria
disco numerado. Mas as gravadoras não têm controle
sobre quantos discos foram vendidos. Falar disso no Brasil é
tabu. Os meus discos são numerados. Quer acabar com a pirataria?
Abaixe o preço do CD porque ninguém gosta de comprar
disco pirata. O cara compra porque está sem dinheiro. Mais
cínico ainda é ver grandes medalhões como o
Gilberto Gil fazendo essas campanhas. Em 1987, eu e o Paulinho da
Viola formamos um grupo para numerar os discos. Em 1998, você
vê aqueles mesmos artistas indo para o lado oposto. Mas as
gravadoras não podem baixar por causa dos jabás das
rádios. Um disco meu em banca custa R$ 11,90 e o da Abril,
R$ 19,90. Por quê? Qual o custo maior? Claro que não
vendeu bem, R$ 19 é burrice.
próxima
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