01 de novembro de 1999
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Dieta

A nova onda de Gilberto Gil
Depois de enfrentar uma suspeita de câncer, o cantor e compositor emagrece sete quilos e adota alimentação macrobiótica

Rosângela Honor

Foto: Leandro Pimentel

Há um ano, o cantor e compositor Gilberto Gil, 57 anos, viveu um período difícil: submeteu-se a uma cirurgia para retirar um calo que insistia em prejudicar suas cordas vocais e extraiu um gânglio que surgiu repentinamente em seu ombro direito. Na época, os médicos chegaram até a levantar a possibilidade de se tratar de um câncer. A hipótese foi descartada. De outubro de 1998 a março deste ano, Gil perdeu sete de seus 63 quilos. Foi neste período que ele resolveu adotar a macrobiótica como dieta alimentar.

Não é a única vez que o compositor lança mão desse artifício. A primeira foi há 30 anos, quando soube que John Lennon e Yoko Ono também adotavam a prática alimentar de não ingerir carnes. Acabou se identificando e, por vários períodos, seguiu a dieta alternativa. Gilberto Gil leva a alimentação tão a sério que mandou a cozinheira Cleonice Pereira de Jesus, 30 anos, que há cinco trabalha com ele, fazer um curso de dez dias num restaurante de comida macrobiótica, em Salvador. Hoje, a dieta do compositor, que já recuperou quatro quilos, inclui, invariavelmente, arroz integral, legumes cozidos com pouco óleo e biscoitos de farinha integral. Carnes vermelha e branca estão excluídas do cardápio. A única exceção, feita raramente, é peixe. Algumas frutas e, quase sempre, torta de maçã. "Sempre tive simpatia pela macrobiótica", diz. "Minha saúde melhorou muito."

Agora, novos projetos afloram na rotina do baiano, pai de sete filhos: Pedro - que morreu aos 19 anos em um acidente de carro, em 1990 - Nara Gil, 33 anos, Marília, 32, Preta, 24, Maria, 21, Bem, 14, Isabela, 11, e José, 8. Casado há 15 anos com Flora Gil, ele faz meia hora de ginástica todos os dias pela manhã. Substituiu as caminhadas diárias por uma hora de sapateado em seu escritório, no apartamento da praia de São Conrado, na zona sul do Rio. A "terapia" foi descoberta há dois anos e meio, quando fez dez aulas de sapateado. O resultado já foi conferido pelo público de Nova York, cidade na qual o cantor fez um show recentemente. Um crítico americano gostou tanto do desempenho do cantor que fez um artigo elogiando sua apresentação. "Achei muito engraçado", comenta. Gilberto Gil também vem se dedicando com freqüência cada vez maior à causa ecológica.

A música de Gil para o réveillon do milênio

O ano 2000
lá no sertão ninguém viu
quando a aurora que o pariu
deu à luz lá no Japão

aqui no Brasil,
só doze horas depois
é que a nova aurora pôs
o doismilendário ou: ano-novo
do calendário cristão

O ano 2000
depois de Cristo e antes de
todos os que estão por vir
porquanto houver duração

deste meu Brasil
da terra como no céu
seja em Morro do Chapéu
nas mãos do templário homem do povo
depositário do velho mistério
do Santo Graal

Sua militância surgiu com sua eleição para a Câmara dos Vereadores de Salvador, em 1986. Em 1988, criou a Fundação Onda Azul, que preside. Durante o mandato parlamentar, Gil destinou boa parte do seu salário para a fundação. "Praticamente doei tudo que recebi como vereador", conta. A experiência como político não agradou ao cantor. "Estar na política formal foi uma coisa incômoda", diz. Ele não se importa que as pessoas não admirem seu trabalho como artista, mas conta que se incomodava com o fato de não o aprovarem como político. "O fantasma da representação popular vivia comigo o tempo inteiro", recorda.

Passados dez anos, a Fundação comandada por Gil é uma das Organizações Não Governamentais (ONG) mais respeitadas da Bahia. Entre os projetos que estão prontos para sair do papel está a criação de um parque ambiental na extensão do rio São Francisco. Orçado em R$ 5 milhões, o projeto conta com o apoio do Ministério do Meio Ambiente. A idéia é transformar o parque num pólo turístico com atividades esportivas e culturais, como a trilha de Lampião.

Mesmo assegurando que não pretende mais voltar à política, Gil diz que não vê problema em subir ao palanque para defender um candidato que tenha como plataforma a causa verde. Embora não tenha um preferido à Presidência da República, Gil já tem um candidato à prefeitura do Rio, o ex-vereador Alfredo Sirkis.

O baiano também vem exercendo sua militância através de uma coluna semanal no Jornal do Brasil. Gil considera a coluna um espaço importante para defender a causa. "É uma maneira interessante de expressar minhas idéias e um exercício de disciplina", avalia. Ele confessa que é meio preguiçoso, mas admite que gosta quando escreve.

Envie esta página para um amigoAlém disso, Gil se prepara para gravar um disco com Milton Nascimento para ser lançado em maio do ano que vem. O convite partiu do mineiro, empolgado com o resultado da gravação de uma das faixas do CD Quanta, de Gilberto Gil. "Eu me sinto honrado, o problema é a nossa falta de tempo." O primeiro encontro aconteceu há um mês. A idéia inicial é fazer um disco com composições inéditas e músicas antigas. Além do disco, o cantor também está negociando com a Rede Record um programa de ecologia para ir ao ar até o final do ano. Também tem outros projetos para tevês por assinatura. Um deles é a produção de um documentário sobre os Filhos de Ghandi, bloco carnavalesco baiano de inspiração afro-religiosa. Há 15 dias, Gil compôs uma música especialmente para o réveillon do ano 2000 (leia ao lado, em primeira mão), ainda sem data para ser gravada.

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