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O
Conhecimento Secreto
O
artista britânico David Hockney arranha a imagem de superdotados
dos grandes mestres da pintura
Paula
Alzugaray
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Divulgação
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Rompe
o selo celestial aquele que torna comuns os segredos da arte e da
natureza (
). De modo que pior que louco é quem publica
qualquer segredo. O estatuto, escrito por Roger Bacon no século
13, condenaria à fogueira o autor de O Conhecimento Secreto
(Cosac & Naify, 298 págs., R$ 129). O pintor britânico
David Hockney não foi consumido pelo fogo da Inquisição,
mas desde dezembro passado virou alvo da ira dos maiores experts
em Ingres, Caravaggio, Vermeer e Velázquez. Em livro polêmico,
Hockney sustenta que, desde o século 15, gênios da
pintura servem-se de aparelhos ópticos para chegar a resultados
realistas.
| Divulgação |
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| Masolino
da Panicale (1425) e Robert Campin (1430): “A tinta a óleo não
basta para explicar tal mudança. Algo mais está em jogo” |
Historiadores
sempre atribuíram o realismo fotográfico
das pinturas flamenga e renascentista à invenção
da perspectiva e da tinta a óleo. Esses recursos criaram
condições para a representação fiel
de profundidades, brilhos, sombras e volumes. Agora, o livro-bomba
de Hockney quer demonstrar a influência de uma outra ferramenta:
a lente-espelho, que projetaria a imagem do modelo sobre a tela.
Para Hockney, o uso das lentes deixa marcas inconfundíveis:
distorções, sombras bem definidas por uma forte fonte
de luz, gestos fugazes congelados fotograficamente e profundidade
de campo limitada.
Vã
ou revolucionária, a tese transformou-se em um acontecimento.
Hockney não apenas publicou o que julgou um conhecimento
secreto, como empacotou sua tese em edição de luxo
que roda o mundo. Se não for reconhecido como um teórico
visionário, pelo menos Hockney reafirma-se como artista pop,
na medida em que divulgou ao mundo inteiro uma discussão
que poderia ter ficado confinada ao âmbito acadêmico.
Fórum público
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