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CÁSSIA ELLER

17/12/2001

“Meu pai diz que o meu casamento é o melhor da família”
Com 400 mil discos vendidos, a cantora fala dos preconceitos que venceu por ser homossexual e de sua rotina como mãe e dona-de-casa

Luís Edmundo Araújo

Edu Lopes

“Até hoje me assusto quando tem 30 mil pessoas me vendo. Suava para botar mil pessoas num lugar”, diz a cantora

Cássia Eller virou uma cantora popular. Depois de 11 anos de uma carreira sempre elogiada pela crítica, mas com um quê de marginal, a cantora de 38 anos acaba de atingir a marca de 400 mil cópias vendidas com seu nono CD, Acústico MTV. Tudo bem diferente de quando a filha do sargento pára-quedista do Exército Altair Eller e da dona-de-casa Nanci começou a cantar pelos bares de Brasília músicas de Cazuza, Beatles e da vanguarda paulista. A nova fase só não fez com que a carioca criada em Minas perdesse por completo a timidez, que confunde quem assiste às apresentações da artista escrachada e sempre à vontade no palco. Companheira de Eugênia há 14 anos e mãe de Francisco Ribeiro Eller, o Chicão, oito anos – seu filho com o percussionista Jorge Felipe, que morreu antes do menino nascer –, Cássia admite que até recentemente ficava apavorada com a idéia de dar entrevistas. “Tenho tentado melhorar, ficar mais civilizada, e acho que estou conseguindo.”

Você esperava todo esse sucesso?
Sonhei com isso há muitos anos. Sempre acreditava que iria me tornar uma artista popular, mas cada disco que fazia quase nunca ficava um ano em turnê. Já tinha desistido. Me conformei em ser meio maldita. Tinha respeito do público, da crítica e dos outros artistas. Estava mais do que satisfeita. Ainda estou meio na onda do susto, não me acostumei. Lógico que é bom, mas até hoje me assusto quando vou a um lugar aberto e tem 30 mil pessoas me vendo. Não era assim até o ano passado comigo. Suava para botar mil pessoas num lugar.

Teve problemas com gravadoras?
O terceiro disco (Cássia Eller) foi feito na base da troca. Eu queria gravar uma coisa e eles falavam “só se você gravar tal coisa”. Tive que trocar. Metade do disco era meu, metade deles. Agora estou no meu melhor período de relação com a gravadora. Temos mais diálogo, mais condição de conversa. Briguei para nunca mudar meu estilo por causa das tendências do mercado. Valeu a pena.

Sempre quis ser cantora?
Na minha casa se ouvia muita música. Minha avó materna tocava bandolim, todos na família da minha mãe tocavam instrumento e ela cantava. Cresci ouvindo minha mãe cantando enquanto arrumava a casa e comecei a cantar com ela. Aprendi a tocar violão com primos. Mas ninguém na família quis ser profissional.

Quando passou a se profissionalizar?
Com 18 anos, em Brasília, fiz um teste para um espetáculo do Oswaldo Montenegro. Passei e trabalhei com ele um ano. Depois cantei num trio elétrico, fiz dois anos de ópera e tinha um grupo de samba com os músicos da guarda presidencial. Com eles, cantava, tocava surdo e fazia o carnaval dos bailes. Tinha 19 anos e só queria saber de cantar. Em 1986, formei uma banda e cantava em bar, com repertório de quem eu gostava, Beatles, Caetano, Luís Melodia, Gil, Barão Vermelho e Cazuza, principalmente. Também cantava o som dos caras de São Paulo, Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé.

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