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“Meu
pai diz que o meu casamento é o melhor da família”
Com 400 mil discos vendidos, a cantora fala dos preconceitos
que venceu por ser homossexual e de sua rotina como mãe e dona-de-casa
Luís
Edmundo Araújo
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Edu Lopes
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| “Até
hoje me assusto quando tem 30 mil pessoas me vendo. Suava para
botar mil pessoas num lugar”, diz a cantora |
Cássia
Eller virou uma cantora popular. Depois de 11 anos de uma carreira
sempre elogiada pela crítica, mas com um quê de marginal,
a cantora de 38 anos acaba de atingir a marca de 400 mil cópias
vendidas com seu nono CD, Acústico MTV. Tudo bem diferente
de quando a filha do sargento pára-quedista do Exército
Altair Eller e da dona-de-casa Nanci começou a cantar pelos
bares de Brasília músicas de Cazuza, Beatles e da
vanguarda paulista. A nova fase só não fez com que
a carioca criada em Minas perdesse por completo a timidez, que confunde
quem assiste às apresentações da artista escrachada
e sempre à vontade no palco. Companheira de Eugênia
há 14 anos e mãe de Francisco Ribeiro Eller, o Chicão,
oito anos seu filho com o percussionista Jorge Felipe, que
morreu antes do menino nascer , Cássia admite que até
recentemente ficava apavorada com a idéia de dar entrevistas.
Tenho tentado melhorar, ficar mais civilizada, e acho que
estou conseguindo.
Você
esperava todo esse sucesso?
Sonhei com isso há muitos anos. Sempre acreditava que iria
me tornar uma artista popular, mas cada disco que fazia quase nunca
ficava um ano em turnê. Já tinha desistido. Me conformei
em ser meio maldita. Tinha respeito do público, da crítica
e dos outros artistas. Estava mais do que satisfeita. Ainda estou
meio na onda do susto, não me acostumei. Lógico que
é bom, mas até hoje me assusto quando vou a um lugar
aberto e tem 30 mil pessoas me vendo. Não era assim até
o ano passado comigo. Suava para botar mil pessoas num lugar.
Teve
problemas com gravadoras?
O terceiro disco (Cássia Eller) foi feito na base da troca.
Eu queria gravar uma coisa e eles falavam só se você
gravar tal coisa. Tive que trocar. Metade do disco era meu,
metade deles. Agora estou no meu melhor período de relação
com a gravadora. Temos mais diálogo, mais condição
de conversa. Briguei para nunca mudar meu estilo por causa das tendências
do mercado. Valeu a pena.
Sempre
quis ser cantora?
Na minha casa se ouvia muita música. Minha avó materna
tocava bandolim, todos na família da minha mãe tocavam
instrumento e ela cantava. Cresci ouvindo minha mãe cantando
enquanto arrumava a casa e comecei a cantar com ela. Aprendi a tocar
violão com primos. Mas ninguém na família quis
ser profissional.
Quando
passou a se profissionalizar?
Com 18 anos, em Brasília, fiz um teste para um espetáculo
do Oswaldo Montenegro. Passei e trabalhei com ele um ano. Depois
cantei num trio elétrico, fiz dois anos de ópera e
tinha um grupo de samba com os músicos da guarda presidencial.
Com eles, cantava, tocava surdo e fazia o carnaval dos bailes. Tinha
19 anos e só queria saber de cantar. Em 1986, formei uma
banda e cantava em bar, com repertório de quem eu gostava,
Beatles, Caetano, Luís Melodia, Gil, Barão Vermelho
e Cazuza, principalmente. Também cantava o som dos caras
de São Paulo, Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé.
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