25 de outubro de 1999
Home
Home
Semana
Diversão e Arte
Outras Edições
Fale Conosco
Assine
Assine
Assine
Assine
Assine
Busca


Esporte

Popó, galã do ringue
Solteiro e pai de quatro filhos, Acelino Freitas planeja vasectomia, arruma namorada famosa, compra casa nova e se prepara para defender o título mundial

Fábio Bittencourt
de Salvador (BA)

Foto: PITI REALI

Acelino Freitas, 24 anos, o Popó, quarto de seis filhos da aposentada Zuleica Freitas, 54 anos, e do apontador do jogo do bicho Niljalma Ferreira Jones, 63 anos, deixou uma casa com três cômodos e comprou outra com três quartos, sala, cozinha, banheiro e um quintal, no valor de R$ 25 mil, na Ladeira do Ipiranga, em Cidade Nova, onde morou a vida toda. “Até o final do ano, estarei com mais duas dessa aqui”, empolga-se. A reviravolta na vida do pugilista Popó começou há dois meses, depois que ele conquistou o título mundial de boxe na categoria dos superpenas - de até 59 kg - e, com o cinturão de campeão, ganhou dinheiro equivalente ao valor da casa. A mudança fez com que alguns vizinhos batessem em sua porta em busca de auxílio financeiro. Um dia, uma amiga da família queria dinheiro emprestado para comprar um botijão de gás. Em outro, gente com contas atrasadas querendo uns trocados para saldá-las. “Pensam que estou rico”,diz.

A vida de Popó não mudou só no saldo da conta corrente. Está com nova namorada há um mês. E, dessa vez, famosa. É Roseane Pinheiro, 26 anos, a dançarina do grupo Gang do Samba. Roseane caiu nas graças dos brasileiros depois que disputou a final do concurso da morena do É o Tchan, em 1997. Perdeu para a mineira Scheila Carvalho, mas tem feito sucesso. “Quando vi Roseane declarar na tevê que eu era um gato, procurei uma amiga para nos apresentar”, conta. Além da cobiçada morena a tiracolo, Popó passou a freqüentar boates de famosos, como a Aero Clube Plaza Show, onde podem ser vistos semanalmente netos de Antônio Carlos Magalhães e filhos da elite baiana.

Assédio das fãs

Envie esta página para um amigoO sucesso nos ringues transformou Popó em símbolo sexual. Semanalmente, tem recebido dezenas de cartas e fotos de fãs, afoitas por atenção especial - uma garota chegou a escrever à mão juras de amor em papel com 30 metros de comprimento. A guardiã das correspondências é a mãe, que também zela pela vida privada do galã baiano, ainda solteiro. “Quando vejo que a menina não presta, tento afastá-la de todas as maneiras de meu filho”, diz Zuleica. A preocupação da mãe não é exagerada. Pelo contrário. Com apenas 24 anos, Popó já era pai de três filhos - Rafael, 7 anos, Igor, 2, e Iago, 1 - de três mulheres diferentes. Há um mês, nasceu seu último filho, Juan Popó Freitas. “Já me aposentei”, diz Popó, que, para ter certeza de que nenhuma nova surpresa vai aparecer, fará vasectomia em novembro. “Comecei cedo e vou parar cedo”, diz.

Fora do ringue, Popó sonha em se tornar uma espécie de Xuxa de calção. Alinhava contatos para se transformar em apresentador de programa infantil em emissoras locais do Nordeste. Sua intenção é fazer programas educativos para a garotada. “Até o ano que vem, espero ter novidades”, garante. Já pensando na nova empreitada, Popó tem caprichado no visual. Anda de calça vermelha e camisa com o símbolo do Super-Homem estampado no tecido. Raspou os cabelos com máquina três. E planejou o detalhe para se diferenciar da moda dos jogadores de futebol: uma franja tingida de amarelo.
O irmão Luiz Cláudio Freitas, 32 anos, é um dos grandes companheiros do campeão baiano. Peso pena, ele é o oitavo colocado no ranking mundial da Organização Mundial de Boxe. Foi ele quem apresentou Popó ao boxe, dez anos atrás. E é Luiz Cláudio quem geralmente prepara a comida de Popó e o acompanha nos treinos físicos do final da tarde. Quando estão treinando, os dois comem um punhado de arroz, um filé grelhado de peixe ou frango e salada. Até a água é controlada para que possa perder peso. “O Popó não me dá trabalho”, diz Luiz Cláudio.

Há dois anos, Popó era mais um dos que tentavam vencer no pugilismo. Ganhava ajuda de custo de R$ 500 da academia em que treinava e ficava feliz quando o ginásio Antônio Balbino, com capacidade para mil pessoas, ficava cheio para vê-lo lutar. Um a um, foi derrubando adversários. Na ponta do lápis, Popó tem somas invejáveis: 21 lutas, 21 vitórias por nocaute. Igualou o recorde do mexicano Alfonso Zamora, que, em 1975, conquistou o título mundial derrubando o mesmo número de adversários antes de se tornar campeão mundial da categoria peso galo. A matemática dos ringues rendeu bons dividendos ao pugilista brasileiro. Hoje ele embolsa cerca de R$ 5 mil entre salário e patrocínio de uma empresa aérea e da academia onde treina. Na terça-feira 26, vai enfrentar o porto-riquenho Ricardo Rivera, décimo lugar no ranking da Organização Mundial de Boxe. Se vencer, ele e sua equipe embolsarão R$ 100 mil.

Em dezembro, Popó fará sua primeira defesa do título contra o inglês Barry Jones, líder no ranking da OMB. A entidade, a quarta de maior prestígio entre as 12 que existem no boxe atualmente, adiantou que o brasileiro deverá receber quase R$ 500 mil reais só pela participação na luta. “Se tudo der certo, em um ano ele deverá estar lutando com uma bolsa de mais de R$ 2 milhões”, calcula Rui Pontes, empresário que gerencia a carreira do pugilista há dois anos e meio. “Era difícil arrumar alguém que apostasse dinheiro nele”, recorda Pontes. “Ele só foi para a frente porque é humilde e sabe ouvir as pessoas”, diz Luiz Carlos Dórea, 34 anos, treinador de Popó há dez. Para Popó, seu segredo é um só: um cruzado de direita, rápido como um raio.

Boletim Assine Fale Conosco Outras edições Home Boletim Assine Fale conosco Outras edições Home