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Fernando
Morais - Paris
Nobel
da Paz declara guerra aos laboratórios
Fundador
dos Médicos sem Fronteira afirma que medicamentos são
feitos só para os países ricos
Quem esperava
uma declaração-clichê, adocicada, levou
um susto. Na primeira entrevista que deu após saber
que tinha recebido o Prêmio Nobel da Paz, o elegante
médico francês Bernard Kuschner (fundador da
organização Médicos sem Fronteiras e
atual representante da ONU em Kosovo) baixou o sarrafo na
indústria farmacêutica internacional. Dos
1.200 novos medicamentos lançados no mercado nos últimos
20 anos, denunciou Kuschner, apenas 11 se destinam
a curar doenças existentes em países pobres.
Os 1.189 restantes foram destinados ao conforto dos residentes
em países ricos. Kuschner reclamou também
da facilidade com que os países pobres concedem patentes
aos grandes laboratórios, sem jamais verem sequer a
sombra dos medicamentos produzidos a partir de plantas nativas
em seus territórios.
Crítica
severa
Se dependesse
do poeta João Cabral de Melo Neto, falecido há
duas semanas, o poema Morte e Vida Severina jamais
teria ido parar num palco. Em 1965, dez anos depois de escrito,
o jornalista Roberto Freire decidiu, meio no peito, sem autorização
de Cabral, transformá-lo em peça de teatro musicada
por Chico Buarque. Mas só em 1966, após a consagração
da peça no Tuca, em São Paulo, e depois de ter
vencido o festival de Nancy, na França, é que
o poeta entregou os pontos: Fiquei arrasado pela beleza
do espetáculo, reconheceu ele.
Santo
remédio
Um congresso
mundial de urologia ocorrido na Alemanha referendou a boa
notícia que já tinha sido cantada há
tempos pelo médico brasileiro Miguel Srougi (craque
que cuida, entre outros, de Antônio Carlos Magalhães,
Paulo Maluf e Michel Temer): beber um copo de vinho todos
os dias reduz em 50% os riscos de se contrair câncer
de próstata.
Desespero
antigo
FOTO:
EPITÁCIO PESSOA/AE

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O episódio
do gerente de vendas Sebastião Rodrigues, que cortou
a própria mão para receber um seguro, ocorrido
há duas semanas em São Paulo, pode ser escabroso,
mas não é inédito. Trinta anos atrás,
um empresário paulista apareceu no hospital Albert
Einstein com a mão esquerda decepada. Segundo ele,
por ladrões, que tinham tentado roubar-lhe o relógio
do pulso. A mão foi reimplantada com êxito, mas
foi preciso o repórter Inajar de Souza, do Jornal da
Tarde, investigar o crime por conta própria para descobrir
a verdade: com a ajuda da amante, que era enfermeira, o empresário
havia decepado a própria mão para receber um
seguro de US$ 1 milhão.
Mao
retrô
O que
parece estar voltando à moda não é o
espartilho, a polaina ou sapato bariri, de duas cores. É
o maoísmo. A loja de Valentino já tem na vitrine
ternos linha Maô, como eles dizem aqui,
fechados até quase o pescoço - como os que Caetano
e Gil usavam no tempo do Tropicalismo.
Frase
As
pessoas não são apenas o que são realmente,
mas o que imaginam ser e o que os outros imaginam que elas
sejam. (Ferreira Gullar)
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