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Artes Cênicas - Foco
Mosaico cigano
Centro Cultural Hélio Oiticica - RJ
Paula Alzugaray
Foto:
DIVULGAÇÃO
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Os quatro cantos
do mundo cigano se encontram a partir da quarta-feira 27 nos palcos
de São Paulo. Canto flamenco, fanfarra indiana, orquestras
dos Bálcãs e músicas das planícies do
leste europeu são algumas das surpresas trazidas este ano
para o 8.º Festival Internacional de Artes Cênicas (Fiac),
que tem como tema a diáspora cigana. Existem manifestações
artísticas ciganas no mundo todo, mas nosso critério
de seleção foi a qualidade profissional dos grupos,
diz a idealizadora Ruth Escobar.
Das artes ciganas,
o flamenco espanhol - tingido pelas tradições mouras
e cristãs - é sem dúvida a mais difundida no
mundo. Construídas sobre um sapateado enérgico e uma
batida acompanhada por palmas, dança e música flamencas
serão representadas pela Companhia Eva La Yerbabuena, da
Andaluzia, e pelo visceral cante jondo (canto fundo) de Carmen Linares.
Pode ser também muito interessante conhecer um parente do
flamenco que vive na Hungria. São os cantos Olah, com técnicas
vocais graves e guturais semelhantes aos lamentos árabes.
O estalar de dedos auxiliado pelo uso de colheres, castanholas e
suas variações, como os kartals, também são
uma característica cigana. O grupo Divana, da Índia
(tida como a terra original dos ciganos), reúne instrumentos
de corda de crina de cavalo e kartals em um espetáculo musical
quase circense, com marionetes e encantadores de serpentes. A acrobacia
também faz parte da performance dos Músicos do Nilo,
que vêm diretamente do Egito. Também da Índia,
chegam os 16 músicos da Fanfarra de Bijapur, que, como as
fanfarras ciganas dos Bálcãs, fazem a música
oficial das festas de casamento, batizados, enterros e colheitas.
Criadas durante o século 19, imitando as orquestras militares
turcas, as fanfarras ciganas executadas com acordeão, trompete,
clarineta, tuba e até violino distorcem a estrutura tradicional
do gênero. Quatro belíssimos exemplos poderão
ser conferidos no Fiac deste ano, entre eles o Taraf de Haidouks,
da Romênia, e a Orquestra de Casamentos e Funerais, do bósnio
Goran Bregovic - este último, autor das trilhas dos dois
clássicos do cinema de temática cigana: Tempo de Ciganos
(1989) e Underground (1995), de Emir Kusturica. Talvez a maior surpresa
do festival não venha de longe, mas de Três Pontas,
em Minas Gerais. Trata-se do compositor Wagner Tiso, descendente
de uma tribo nômade da Ucrânia. Esta será a primeira
vez em que Tiso, que se iniciou no acordeão aos 4 anos, fará
um espetáculo sobre as histórias ciganas de sua família.
De 27 de outubro
a 4 de novembro - Teatro Municipal, Sesc Vila Mariana, Sesc Pompéia,
Sesc Belenzinho, Sala São Paulo, Sesc Interlagos, Sesc Carmo,
Sesc Santo Amaro
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