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Música - MPB
Jobim-Morelembaum
Quarteto Jobim-Morelembaum (Velas)
Regina Porto
Dizem que Tom
Jobim, autor do Samba do Avião, se queixava dos
vôos internacionais que faziam escala em São Paulo
antes de pousar no Rio. Em escalas bem mais radicais, a bossa nova
chegou a Londres, onde ganhou o tecno e a geração
dos anos 90. O primeiro disco do quarteto Jobim Morelenbaum - músicos
da Nova Banda, que acompanhou o compositor durante dez anos - é
uma volta àquele Rio ideal de Tom Jobim. Um Rio de versos
à-toa (quando passas tão bonita/eu me esqueço
até do futebol) que soam a coisa mais linda, mais cheia
de graça.
Paulo e Daniel
Jobim, filho e neto de Tom, e o casal Jaques e Paula Morelenbaum
criaram o quarteto logo após o desaparecimento do compositor,
há cinco anos. De realização impecável
e coletiva, o disco não soa tributo, homenagem, saudosismo.
Soa um clássico. De Água de Beber a Águas
de Março, são 13 faixas tocadas por gente que
privou da música e da intimidade do maestro.
A voz lisa e
contida de Paula, num volume só, lembra a elegância
de Sílvia Teles nos anos 60. Paulo e Daniel puxam o mesmo
acento de Tom, quando ao violão, ao piano, sobretudo cantando
daquele jeito só dele. O violoncelo de Jaques Morelenbaum
chora - e improvisa também. Os convidados dão
a mixagem exata: Marcelo Costa é discreto na bateria, Marcos
Suzano faz presença na percussão de Lamento
no Morro e Zeca Assumpção, no baixo, chega com
a classe de sempre em O Boto e Corcovado.
Quarteto de bom tom
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