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Música - Pop Rock
Hours...
David Bowie (Virgin)
Um artista pode
envelhecer, mas sua obra - quando é grandiosa - não
fica datada, como se bebesse, de tempo em tempo, doses regulares
de modernidade. A música de David Bowie é o tipo de
arte atemporal, mesmo que alguns projetos do artista lançados
nas décadas de 80 e 90 só contribuam para comprometer
tudo de brilhante que realizou nos anos 60 e 70.
Pela instabilidade
que marcou seus discos mais recentes, Hours..., o novo álbum
do camaleão do rock, vem redimi-lo dos eventuais equívocos
cometidos.
Com melodias
soturnas e sedutoras, Bowie tece uma malha sonora melancólica
- em arranjos que privilegiam sua voz e as cordas da criativa guitarra
de Reeves Gabriel, reforçando o hábito do cantor de
destacar o guitarrista que o acompanha. Já aconteceu com
Robert Fripp (que trabalhou com Bowie entre 1977 e 1979) e Adrian
Belew (década de 80). Agora é a vez de Reeves Gabriel,
que dosa suavidade (Something in the Air e Survive)
e peso (The Pretty Things are Going to Hell) nas medidas
exatas, devolvendo à guitarra - instrumento tão em
baixa na era eletrônica - a força embrionária
do pop rock.
Lançado
simultaneamente na Internet pelo formato MP3, Hours... vai virar
trilha sonora de um videogame que será lançado em
fevereiro. Ironicamente moderno, o disco marca a volta de David
Bowie à velha forma. Suas canções transmitem
um aroma de nostalgia e a certeza de que a voz rouca do cantor -
sem a mesma técnica de outros tempos - é única
em interpretação e sentimento. (R.Z.)
Sabor nostálgico
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