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Uma
seção para a história
Foto:
PITI REALI
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O repórter
Cesar Guerrero, 29 anos, era um cara-pintada que mal saíra
das passeatas estudantis pelo impeachment do presidente Fernando
Collor quando conheceu o presidente do PC do B, João
Amazonas. Foi um encontro de rápidos apertos de mão
entre um redator do jornal da União Nacional dos Estudantes
(UNE), simpatizante do PC do B, e o líder do partido.
Era o ano de 1993 e a cena esteve presente na memória
de Guerrero quando ele voltou a reencontrar Amazonas, na sexta-feira,
8 de outubro, em São Paulo. Aos 87 anos de idade, João
Amazonas inaugura esta semana uma nova seção
de Gente. Batizada de Testemunhas do Século,
ela contará, pelas experiências vivas de algumas
personalidades brasileiras, o mais intenso período
de mudanças da história da humanidade - o século
XX. João Amazonas, por exemplo, tinha 5 anos de idade
e morava no Pará, quando Lenin e Trotski triunfaram
com o movimento revolucionário que marcaria sua biografia.
O século que viu o comunismo ser colocado em prática
com a Revolução Russa de 1917 é o mesmo
que decretou sua falência com a queda do Muro de Berlim,
em 1989. E Amazonas viveu tudo isso sob o ponto de vista de
um brasileiro - e num país que só parou de perseguir
as idéias comunistas quando elas já tinham perdido
seus melhores argumentos. Se tivesse ocorrido 60 anos antes,
o encontro da foto desta página teria acontecido numa
prisão da ditadura de Getúlio Vargas. Fosse
há 30 anos, a foto registraria a entrevista de um clandestino,
procurado pelo regime militar de 1964 - alguém que,
quando foi preso pela primeira vez, não entrou num
camburão porque não havia carros específicos
para transportar presos e ficou numa cela com barras de madeira
porque elas eram mais baratas que as de ferro. O homem que
rasgava retratos porque sua própria história
poderia incriminá-lo é, ele mesmo, o retrato
de um país que aprendeu a ser mais tolerante, diversificado
e democrático. João Amazonas é quase
o mesmo jovem que há 64 anos abraçou a causa
comunista. Na sua biografia, quem mudou foi o Brasil.
Luciano
Suassuna
Diretor de Redação
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