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12/11/2001
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LIVROS
FERNANDA
YOUNG
Mãe punk, casa feliz
A escritora e roteirista de Os
Normais, da Globo, lança quinto livro,
faz festas semanais para as filhas, é devota de Santo Antônio e
se diz uma punk de vida saudável
Edwin
Paladino
| Fotos:
Silvana Garzaro |
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| Em
casa com as crianças: “Minhas filhas recebem amiguinhas toda
quarta-feira”, conta Fernanda, referindo-se a Cecília Madonna
(no colo) e Estela May (sentada), gêmeas de um ano de idade
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O apartamento
da escritora e roteirista Fernanda Young vira uma festa todas as
tardes de quarta-feira. Mas em vez de bebida e música alta,
rolam mamadeiras, fraldas descartáveis e brinquedos de plástico
colorido. E muito choro. Minhas filhas recebem as amiguinhas
neste dia, conta Fernanda, referindo-se a Cecília Madonna
e Estela May, gêmeas de um ano de idade. Na sala principal,
almofadas com penas, fotos de discos punks, um abajur de Elvis Presley
e quadros religiosos se misturam ao vai e vem de carrinhos de bebê
e babás atentas. As filhas são a prioridade
da vida dela, diz o marido, o publicitário Alexandre
Machado, 41 anos. Estou ao lado delas o tempo todo,
afirma a escritora, após interromper a entrevista duas vezes
para brincar com as meninas.
Literatura é outra paixão da escritora. Quando Fernanda
não está com Cecília e Estela, passa horas
em frente ao computador. Aos 31 anos, está lançando
seu quinto livro, O Efeito Urano (leia
crítica), uma coleção escrita por cinco
autores (entre eles Mario Prata, Manoel Carlos, Luís Fernando
Verissimo e Carlos Heitor Cony), que tem como tema os cinco dedos
da mão. Fernanda, a primeira escritora da série, escolheu
o dedo médio como inspiração. É
o dedo que uso para mandar alguém para aquele lugar quando
algum engraçadinho me chama de gostosa na rua, brinca.
Em casa, ela não trabalha sozinha. Ao lado do marido, assina
o roteiro do programa humorístico Os Normais, sucesso
nas noites de sexta-feira na Globo. Assisto como um telespectador,
não paro de rir e parece que não fui eu que escrevi
o texto, diz ela.
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O visual
de Fernanda foge ao padrão da maioria das mães: cabelo
bem curto, vestido preto com corselet e várias tatuagens
espalhadas pelo corpo. O número de tatuagens é
um enigma, brinca. Fernanda diz não saber quantas tem,
mas não se esquece do primeiro desenho que marcou seu corpo.
Aos 13 anos, com uma agulha caseira, fez um olho na região
da virilha, quando era uma adolescente no início dos anos
80. Morava em Niterói, no Rio de Janeiro, onde nasceu, usava
bota coturno e atravessava a rua pelo capô dos carros. Era
bem agressiva, diz. Nesta época, conheceu a música
da mulher que mais influenciou sua vida: Madonna. Ouvi Like
a Virgin e achei muito punk. Ela é uma grife,
diz Fernanda, que tatuou no braço direito o título
da música What It Feels Like for a Girl, do último
disco da pop star americana, e o nome da filha Cecília. O
Madonna da Cecília é uma homenagem à cantora
e a Nossa Senhora, explica ela, que tem o nome da outra filha,
Estela, no braço esquerdo.
Devota
de Santo Antônio, Fernanda define sua religião como
Católica Apostólica Hindu. Com esta miscelânea
religiosa, possui uma coleção de quadros com imagens
de Jesus Cristo na sala e pinturas hindus nas paredes da escada
que leva ao segundo andar de seu apartamento, em Higienópolis,
zona oeste de São Paulo. Faço também
novena para medalha milagrosa, completa ela, que antes de
começar o dia corre uma hora e meia, faz ioga e tae-kwon-do.
Para alguém que se diz punk, surpreende mais uma vez: Adoro
esporte. Sou uma punk que não fuma e não bebe.
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