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| DANIELLA
SARAHYBA |
08/10/2001
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“Tive
de crescer na marra”
A modelo de 17 anos adora fazer o tipo mulherão, teme por ver
a adolescência passar enquanto trabalha e chora ao falar da morte
do pai, vítima de leptospirose
Juliana
Lopes
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Leandro Pimetel
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| “Era
toda molequinha e já podia fazer o tipo mulherão”, diz Daniella,
sobre um trabalho que fez aos 13 anos |
Fora
a beleza, ser precoce sempre foi a característica mais visível
da modelo Daniella Sarahyba, de 17 anos. Primeiro, veio o baque
pela perda do pai, o advogado Orlando Fernandes Neto, quando tinha
10 anos. Daniela precisou começar a trabalhar cedo para ajudar
a mãe. Com 11 anos, ela já tinha 1,70 e posava como
modelo. Aos 14 já era um mulherão e tornou-se a namorada
de um galã da Rede Globo. Um dos homens mais cobiçados
do País, Márcio Garcia, então com 28 anos,
queria casar com Daniella. O romance a tornou famosa. Mas por causa
da diferença de idade, diz ela, terminaram. Agora Daniella
sonha virar uma supermodelo internacional. Para isso, conta com
a experiência de Mônica Monteiro, empresária
da número 1 Gisele Bündchen. Em qualquer lugar
que eu chego para fotografar o povo fica louco. Ainda mais que eles
não acreditam na minha idade, diz Daniella, que em
1998, aos 13 anos, fez na Alemanha seu primeiro trabalho internacional
e teve que dizer que tinha 15.
Seu
pai morreu de leptospirose quando você tinha dez anos. Foi
o primeiro golpe na sua vida?
Com certeza. Eu tive de crescer na marra. Foi a coisa mais
esquisita do mundo, porque eu sabia que ele estava no hospital,
mas achava que estava bem. Mandava cartinhas com papel de carta
para ele. Pensava no meu pai como o cara fortão, bonitão,
que fazia sucesso com as mulheres e era o pai presente, o pai perfeito.
Não imaginei que isso fosse acontecer. Na noite em que ele
morreu, eu estava na casa da vizinha e, mesmo sem saber de nada,
tive uma insônia inexplicável.
Como
recebeu a notícia?
Quando minha mãe me disse que ele tinha ido para
um lugar melhor, pulei de alegria porque achei que o lugar
melhor era a nossa casa. Aí ela falou: o papai foi
para o céu descansar. Tomei um susto enorme, cheguei
a ajoelhar no chão. Ainda quis ir para a competição
de natação que estava programada para mostrar para
meu pai que podia ganhar. Mas não tinha mais forças.
Encontrei meu irmão no corredor e a gente não conseguiu
nem se falar. (Daniela respira fundo e chora). Uma semana
antes, estava com ele em Angra. Ele ficou doente e eu não
podia chegar perto. A última imagem que tenho dele foi quando
olhei pela porta do quarto do hospital e ele me disse: Tchau,
florzinha, te amo muito.
E
o que aconteceu depois?
Soube superar bem. Meus professores ficaram do meu lado.
Meu colégio me deu bolsa de 100%. Meu pai jamais gostaria
que eu fosse modelo. Mas quando comecei a trabalhar nós estávamos
numa situação financeira apertada. Deu uma confusão
com a ex-mulher dele, que tirou tudo que tinha da casa. Hoje eu
só tenho fotos do meu pai. E eu passei a ajudar minha família
com o dinheiro que ganhava. Em algum lugar, ele deve estar orgulhoso.
Rezo para ele todas as noites, durmo conversando com ele.
Você
ainda ajuda nas despesas de casa?
Completamente. Depois que a mulher do meu pai roubou toda
a herança dele e a situação ficou terrível,
ajudei a família inteira. Meu irmão está estudando
no Canadá e eu estou ajudando. Hoje nós temos uma
conta conjunta. O dinheiro é um só. No dia das mães,
dei para minha mãe uma mala Louis Vuitton e no dia dos pais,
ela ganhou um conjunto de edredon, fronha e lençol. Ela é
mãe e pai.
próxima
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