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OCIMAR VERSOLATO

01/10/2001

“Só aqui dono de grife pede aplauso na passarela”
De volta ao País, o estilista brasileiro mais famoso no exterior admite fracasso da sociedade em Paris e ataca estilistas nacionais em ascensão

Mariana Kalil

Adriano Machado

Versolato em seu ateliê em São Paulo: “Paulo Borges e sua turma são baixos. Fazem uma semana de moda no Brasil, convidam uma penca de jornalistas internacionais e acham que o mundo está olhando para cá! Tenho que rir”

Único brasileiro a dirigir uma maison tradicional de Paris, a Lanvin, Ocimar Versolato consagrou-se mundialmente como o estilista responsável pelo luxo minimalista dos anos 90. Entre 1993 e 1997, suas criações eram sinônimo de prestígio e sofisticação. Rendiam US$ 30 mil por mês. O casamento de cinco anos com a Lanvin foi um sucesso até 1998. Enrolado numa dívida milionária com a previdência social francesa, ele enxergou no empresário pernambucano Ricardo Pessoa, do grupo Pessoa de Queiroz, uma luz no fim do túnel. Mas nesse casamento foi infeliz e, em 1999, a união se desfez. O estilista passou a olhar mais para o Brasil. Associou-se a dois novos grupos e, no ano passado, estabeleceu-se em São Paulo. O ateliê, onde ele mora, ocupa dois andares de uma mansão anos 50, com lustre de cristal pendendo do teto. Aos 40 anos, com a auto-estima inabalável, Ocimar perdeu 30 quilos, abandonou o boné preto e adotou o uso da base para tirar o brilho do rosto. Ele se diz vítima de um vício: o cigarro. Fuma mais de um maço de Marlboro por dia. Entre baforadas, falou a Gente.

Ter voltado para o Brasil foi uma derrota?
Não voltei para o Brasil. Recebi uma proposta de sociedade com grupos ligados à moda. Eles sugeriram que montássemos uma indústria no País e aceitei. Mas já estou voltando para Paris para lançar a alta-costura.

O que aconteceu entre você e o grupo Pessoa de Queiroz?
Como muitas sociedades, não deu certo. Montamos showroom no mundo inteiro, mas não havia dinheiro para a produção e não entregamos a mercadoria. Fiquei com medo de arriscar uma segunda coleção e de novo não conseguir cumprir o prazo da entrega. Resolvi parar tudo e me reestruturar. É o que estou fazendo, começando pelo Brasil.

Fala-se de uma dívida que teria deixado na França...
Quando assinei para ser o estilista da Lanvin, recebi o dinheiro e o imposto de renda francês veio em cima de mim. Queriam me cobrar um valor que não era justo. Entrei com um processo e resolvemos tudo.

Como rompeu com a Lanvin?
Quando assumi, a maison tinha um excesso de funcionários que passavam o dia sem fazer nada. Contratei uma equipe nova e tiramos a Lanvin do vermelho. A direção quis ampliar o contrato. Como não pretendia deixar minha grife desamparada, saí.

Você se arrependeu?
Imagina. Junto com o convite da Lanvin, fui procurado por outras cinco maisons.

Assumiria uma maison hoje?
Em seis meses que estou no Brasil, duas maisons já me fizeram convite.

Quais?
Não posso falar.

É bom em guardar segredo?
Os bons, sim. Os miseráveis não valem a pena. Sou ariano.

Como seu lado ariano enfrenta as críticas feitas a você?
Não ligo. Quando se faz um produto bom, tudo dá certo. A história do criador com a cliente é um casamento. Ela exige respeito e fidelidade de você. Quando a atende, não há crítica que abale essa relação.

Teme as críticas brasileiras?
Há pessoas no Brasil que admiro. Erika Palomino, Regina Guerreiro, Gloria Kalil e Costanza Pascolato são imparciais. Não admito gente falar mal de mim, que sou um criador, para falar bem de copiador.

Refere-se à jornalista Lilian Pacce? Quando ela o criticou você disse: “Ela não tem cultura para me criticar, fala bem do Reinaldo Lourenço (estilista) e vem falar mal de mim”.
Exatamente. Quando você vê a minha história, a minha dignidade profissional criticada numa página e na outra vê elogios a um copiador, não é crítica. É problema pessoal. Muitos dizem que tento ser francês. Não
é verdade. Tento fazer moda internacional. Levo a sensualidade brasileira, que é explorada de maneira vulgar, para as vitrines do mundo.

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