14 a 21 de outubro de 1999
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Revelação

Grelo Falante, quando elas contam piadas
Cinco amigas fazem sucesso com humor, lançam livro e estréiam como roteiristas na Rede Globo

Viviane Rosalem

Há 11 meses, as amigas e atrizes Claudia Valli, 36 anos, Claudia Ventura, 31, Suzana Abranches, 38, Lucília de Assis, 38, e Carmem Frenzel, 31, fundaram um jornal de humor feminino. Batizaram de O Grelo Falante, inspiradas no personagem Grilo Falante. Mal poderiam pensar que o tablóide gratuito com tiragem de 10 mil exemplares, distribuídos em livrarias, bancas e espaços culturais, abriria portas para elas. O grupo lança este mês, pela Objetiva, o livro Tapa de Humor não Dói: A Hora e a Vez das Mulheres Gozarem e estréiam dia 21 de dezembro como roteiristas do novo humorístico da Globo, Garotas de Programa, sob a supervisão do grupo Casseta & Planeta. "Somos morenas classudas e nosso objetivo é falar de amor, sexo e revidar as piadas masculinas", explica Claudia Valli, mentora do grupo, considerado o Casseta de saias.

No livro, elas contam piadas e dão dicas em 165 páginas. "Também traz a agenda da mulher 'in': insegura, infiel, independente, invejosa e ingnorante", conta Isa Pessoa, 40 anos, diretora editorial da Editora Objetiva. "Ninguém nunca havia falado com tanta esperteza das fraquezas femininas, das roubadas e dos micos que pagamos por causa dos homens." Isa se identificou com algumas histórias narradas, como a do Carnaval frustrado em Búzios, na Região dos Lagos do Rio, quando as moças enfrentam percalços para chegar ao balneário e só então descobrir que o homem desejado não foi.

"As festinhas de humoristas não se resumirão a um bando de homens babões enchendo a cara de uísque", diz Marcelo Madureira, integrante do Casseta & Planeta. O grupo apresentou as moças do Grelo a José Lavigne, diretor do humorístico Garotas de Programa, que terá no elenco as atrizes Luana Piovani, Drica Moraes e Marília Pera. "Faremos humor sobre o comportamento das mulheres em relação aos homens", diz Lavigne. As grelos falantes estão adorando a experiência mas, de início, acharam que não passava de brincadeira, pois a primeira reunião foi marcada pela turma do Casseta no dia 1.º de abril.


Claudia Valli
CDF cuida dos textos e abriga a redação

Foto: LEANDRO PIMENTEL

Divorciada há cinco anos e mãe de dois filhos, Nino, 10 anos, e Cora, 7, a atriz, roteirista e diretora teatral Claudia Valli, 35, é a redatora e roteirista do grupo. Foi dela a idéia de montar O Grelo Falante em 98. Escrever sempre foi seu maior passatempo. Até os 9 anos, era uma menina comportada e CDF. "Depois fiquei bagunceira e debochada", lembra. Aos 18 anos, entrou para faculdade de direção de teatro na UNI Rio e escreveu seu primeiro infantil, Sonhe com os Anjos. Em seguida, especializou-se em teatro adulto, escrevendo e dirigindo as comédias Tequila, uma História Mexicana, A Esperança é a Última a Sair da Festa e A Turba Rude e Bárbara, todas no Rio. É no apartamento de Claudia que funciona a redação de Grelo Falante e onde são produzidos os textos do Garotas de Programa. Ela adora comida japonesa porque considera "uma loucura" comer segurando dois pauzinhos. "Só não escreve aí que eu torço pelo América", brinca.


Foto: LEANDRO PIMENTEL

Lucília de Assis
Ex-locutora de rádio agora é lojista em Niterói

Quando era adolescente, Lucília, hoje com 38 anos, vivia matando aula. "Já ia para a escola com o biquíni na bolsa para correr para a praia", lembra. Anos depois, formou-se em Jornalismo. Trabalhou como locutora e programadora na extinta Rádio Fluminense, hoje Jovem Pan, e na RPC, hoje FM O Dia. Também se formou atriz no Tablado. Casada há 12 anos com o músico Alexandre Dacosta, é mãe de Dora, 2 anos, e Tomás, 8 meses. Lucília atuou em Capitães de Areia e participou da minissérie Armação Ilimitada, na Globo. Nos anos 90, montou com o marido a dupla de cantores exóticos Claimara Borges e Eurico Fidelis, para satirizar pessoas de sucesso. Em 1992, lançou o CD Cascatas de Sucessos. Hoje ela é dona da Escalafobética, uma loja em Niterói que vende objetos, roupas e outras futilidades, como define. Lulu, como é chamada, diz que tem algumas neuroses, mas prometeu se tratar "assim que botar a mão na grana da venda do livro".


Foto: LEANDRO PIMENTEL

Carmen Frenzel
Ela quer uma vaga na Academia Brasileira de Letras

Quando criança, Carmen, 31 anos, queria ser atriz. Mas os pais a proibiam e exigiam que ela entrasse numa faculdade. Por gostar de cálculo, passou para economia na Universidade Federal Fluminense. "Mas só durou uma semana", diz. Tinha 18 anos e largou a faculdade para fazer teatro. Os pais acabaram aceitando sua profissão. "Só percebi quando começaram a chamar teatro de trabalho", conta. Carmen destacou-se no espetáculo infantil Lude na TV, de Dudu Sandroni, que lhe rendeu o prêmio Mambembe de melhor atriz em 1996. Solteira, é professora de teatro adulto e infantil no Teatro Ziembinski, na Tijuca. Adora o que faz. "Só odeio jiló, polenguinho e mau humor", ressalta. Depois que passou a escrever, sonha com uma vaga na Academia Brasileira de Letras. E diz que o Grelo salvou sua vida. "É o meu antídoto contra a suposta esperteza masculina", explica.


Foto: LEANDRO PIMENTEL

Suzana Abranches
Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo dá aula de teatro

Casada há cinco anos com o ator Gustavo Ottoni e mãe de Daniel, 2 anos, Suzana Abranches tem 38 anos, mas diz que fotografa como se tivesse 23. É professora de teatro há seis anos no Colégio Andrews, no Humaitá. Mas já trabalhou no Aeroporto Internacional do Rio, fazendo o check in dos passageiros. Abandonou a faculdade de teatro na UNI Rio e, aos 19 anos, foi morar sozinha. "Sempre fui muito independente", conta. "Na infância, era uma peste e, na adolescência, vivia me preocupando com a questão social do País." Ao mesmo tempo, ressalta que namorou bastante. "Gostava de experimentar", diz. Estreou como atriz na peça Na Terra do Pau-Brasil, nem Tudo o Caminhas Viu, ao lado do ator Ary Fontoura, mas seu maior sucesso foi como a terceira Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo, de 1983 a 1985. Na tevê, participou das novelas Tudo ou Nada, Ana Raio e Zé Trovão e Zazá. "Sempre quis dar um tom irônico aos meus personagens e por isso os diretores viviam reclamando que aquilo ali era uma novela e não uma comédia", conta.


Claudia Ventura
Mestre em teatro, trilíngüe e torcedora do Bangu

Foto: LEANDRO PIMENTEL

Casada há dois anos com o engenheiro João Eduardo Zerbini, Claudia Ventura, 30 anos, sempre se destacou entre os amigos e parentes como a mais engraçada. "Meus irmãos mais velhos são lindos e achei que não teria chance competindo com eles", conta ela, que se achava o patinho feio da família. No colégio Santo Inácio, onde estudou, foi chefe de grêmio estudantil, representante de turma e vivia organizando festas. Aos 17 anos, ela entrou para a faculdade de teatro na UNI Rio, onde se formou. Ventura é um poço de sabedoria e a única do grupo que tem mestrado. "Se bem que é em teatro", debocha. No ano passado, foi indicada para o prêmio Shell de melhor atriz com a peça A Serpente, de Nelson Rodrigues. "Foi a glória, porque nunca tinha sido indicada nem para síndica", diz. Paralelamente ao Grelo, ela também atua na comédia Pum, uma Opereta Romântica, de Arthur Azevedo. "Também sou trilíngüe", avisa. "Sorte do meu marido." Ela não revela a ninguém que torce pelo Bangu.


O que pensam as moças do Grelo Falante

Maridos: "Mal necessário ou bem desnecessário? Tem vários usos"

Absorvente íntimo: "Ainda usamos toalhinhas! OB é uma coisa muito íntima. Quer dizer 'Olha o Barbantinho!!!'"

Estilo da Feiticeira: "Ela é loura, credo! Deve ter dente cariado. Por isso usa aquele veuzinho"

Milene e Ronaldinho: "Eles estão batendo um bolão: enquanto ela fica embaixadinha, ele fica enciminha"

O melhor amigo da mulher: "Um OB super, um celular, um batom, o grelo, o dedo indicador... Já sei: uma amiga feia"

Parte do corpo de que mais gostam: "O grelo"

Parte do corpo que detestam: "O cérebro. Não, o baço"

Casseta & Planeta: "Humm, que homens! São todos lindos, gostosos e sempre querem colocar a cabecinha no grelo"

 

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