14 a 21 de outubro de 1999
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Carreira

ClŠudio Cavalcanti ť o bicho
Longe das novelas, o ator cria uma cadela e 13 gatos e quer ser vereador para proteger os animais

Vivianne Cohen

Foto: LEANDRO PIMENTEL

Aos 4 anos, Cláudio Cavalcanti passeava com o pai, Murilo Pessoa Cavalcanti, pelo Jockey Club do Rio de Janeiro. Encantado com os animais que tomavam banho depois dos páreos, disparou: "Quando eu crescer quero ser cavalo". O pai explicou que seria impossível. Mas nascia ali a paixão pelos bichos. Em sua casa, em Copacabana, o ator, 59 anos, junto com a mulher, a atriz Maria Lúcia Frota, cria 13 gatos e uma cadela. Dedicado à proteção dos bichos desde 1975, quando ingressou na Associação Protetora dos Animais (APA), Cláudio Cavalcanti decidiu ir mais longe pela causa. Ele é candidato a vereador nas eleições municipais, ano que vem, pelo PTB. "Faço tudo pelos animais, que são minha razão de viver", afirma.

A opção pelo partido deveu-se a César Maia, o ex-prefeito da cidade, que vai candidatar-se novamente. Em um jantar, ele seduziu Cláudio ao prometer que, se eleito, criará a Secretaria de Proteção ao Animal. "Tenho um pouco de medo, porque esse meio tem muita malícia", confessa. "Eu sei que estou dando a minha cara a tapa."

Cláudio e Maria Lúcia se conheceram em uma reunião da APA, há 20 anos. Quando perguntados sobre filhos, eles respondem que têm 14, para em seguida esclarecer: "São os nossos bichos, que para nós são como filhos". Cada um deles é batizado com o nome de um personagem de algum livro que tenham gostado. A cadela, por exemplo, chama-se Alba Valéria, nome tirado da peça Nosso Marido, dirigida por ele. Todos foram recolhidos na rua. "Em nossa antiga casa, em Laranjeiras, as pessoas colocavam gatos abandonados em nossa caixa de correio", lembra Maria Lúcia. A militância do ator nessa área inclui algumas conquistas, como o empréstimo de um sítio em Jacarepaguá para servir de abrigo a animais de rua e a promoção de uma campanha gratuita de vacinação e castração.

Cláudio Cavalcanti estreou na carreira em 1956, quando tinha 16 anos, na companhia TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), ao lado de Cacilda Becker, Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Jardel Filho e Natália Thimberg. Em 1967, chegou à Globo na novela Anastácia, a Mulher Sem Destino, de Janete Clair. Ele acumula sucessos, como os personagens que interpretou em Roque Santeiro e em O Feijão e o Sonho. Mas nada comparável ao papel de Jerônimo, na novela Irmãos Coragem, que marcou o auge de sua carreira. Cláudio também tem no currículo a publicação de dois livros de crônicas e três antologias de contos, além de ter composto músicas para Martinho da Vila e Ângela Maria. Fazendo pequenas participações desde sua última novela, Explode Coração, em 1997, o ator está sem contrato com a Rede Globo.

Enquanto estuda propostas de emissoras de São Paulo, Cláudio tem sido um personagem assíduo na ponte aérea. Na capital paulista, está em cartaz com a peça Problemas Felizes. Ele e sua mulher são os autores e diretores do espetáculo, que conta com três elencos distintos. No Rio, a mesma peça será produzida no Teatro Planetário. Distante dos palcos, os bichos são sua prioridade. A paixão é tão grande que ele não gostaria de ser lembrado, depois de sua morte, como ator. "No meu obituário, gostaria que estivesse escrito: Cláudio Cavalcanti, protetor dos animais."

 

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