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Teatro - Drama
Últimas Luas
Antônio Fagundes, Mara Carvalho, Petrônio Gontijo
Eudinyr Fraga
Foto:
Divulgação
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Nessa primeira
encenação no Brasil do texto do dramaturgo italiano
Furio Bordon, Últimas Luas, há um homem (Antônio
Fagundes) que vive o que se convencionou denominar, gentilmente,
de terceira idade. Ele se envolve com suas evocações
da falecida e bela mulher (Mara Carvalho) e sente necessidade de
enfrentar o presente na pessoa do filho (Petrônio Gontijo),
com o qual reside. Enfrentar, sobretudo, a chegada da velhice, assumindo-a
plenamente, com as suas limitações e, paradoxalmente,
seus acréscimos. O que irá lhe permitir aceitar sem
maiores amarguras o despojamento final.
O espetáculo,
dividido em dois momentos, assume no segundo o caráter de
monólogo que já se delineava no primeiro. Como o velho
Próspero de A Tempestade, de Shakespeare, conscientiza-se
de que somos feitos da mesma matéria de que são
feitos os sonhos. Não se pode falar em angústia,
mas melancolia, a que não falta um toque de malícia
e humor.
Fagundes está perfeito na elaboração do Pai,
seja na voz, seja na expressão corporal, seja na emoção
contida que nunca se derrama. Falta a Mara Carvalho maior domínio
de voz. Seu diálogo inicial assume um tom de questionamento,
marcando demais as interrogações das frases. Seus
movimentos, sobretudo das mãos e braços, querem nos
lembrar o caráter evocativo da personagem mas ainda não
foram totalmente assimilados. Gontijo compõe o Filho com
propriedade.
A direção
de Jorge Takla, assim como os ótimos cenários, é
límpida e precisa, colaborada pela excelente iluminação,
também de sua autoria. A tradução de Millôr
Fernandes, como sempre, faz-nos esquecer a língua de origem.
Na estréia, o amplo público vibrou e se comoveu, agradavelmente
surpreendido com a delicadeza e a aparente simplicidade do texto.
Novo olhar sobre a velhice
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