14 a 21 de outubro de 1999
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Teatro - Drama

Últimas Luas
Antônio Fagundes, Mara Carvalho, Petrônio Gontijo

Eudinyr Fraga

Foto: Divulgação

Nessa primeira encenação no Brasil do texto do dramaturgo italiano Furio Bordon, Últimas Luas, há um homem (Antônio Fagundes) que vive o que se convencionou denominar, gentilmente, de terceira idade. Ele se envolve com suas evocações da falecida e bela mulher (Mara Carvalho) e sente necessidade de enfrentar o presente na pessoa do filho (Petrônio Gontijo), com o qual reside. Enfrentar, sobretudo, a chegada da velhice, assumindo-a plenamente, com as suas limitações e, paradoxalmente, seus acréscimos. O que irá lhe permitir aceitar sem maiores amarguras o despojamento final.

O espetáculo, dividido em dois momentos, assume no segundo o caráter de monólogo que já se delineava no primeiro. Como o velho Próspero de A Tempestade, de Shakespeare, conscientiza-se de que “somos feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos”. Não se pode falar em angústia, mas melancolia, a que não falta um toque de malícia e humor.
Fagundes está perfeito na elaboração do Pai, seja na voz, seja na expressão corporal, seja na emoção contida que nunca se derrama. Falta a Mara Carvalho maior domínio de voz. Seu diálogo inicial assume um tom de questionamento, marcando demais as interrogações das frases. Seus movimentos, sobretudo das mãos e braços, querem nos lembrar o caráter evocativo da personagem mas ainda não foram totalmente assimilados. Gontijo compõe o Filho com propriedade.

A direção de Jorge Takla, assim como os ótimos cenários, é límpida e precisa, colaborada pela excelente iluminação, também de sua autoria. A tradução de Millôr Fernandes, como sempre, faz-nos esquecer a língua de origem. Na estréia, o amplo público vibrou e se comoveu, agradavelmente surpreendido com a delicadeza e a aparente simplicidade do texto.
Novo olhar sobre a velhice

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