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MÚSICA - MPB
Estopim
Ná Ozzetti (Ná Records)
Aluizio Falcão
Foto:
Divulgação

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O novo disco
de Ná Ozzetti confirma sua posição na primeira
linha das intérpretes brasileiras. Ela é uma cantora
refinada e sem afetação - qualidades que nem sempre
andam juntas nas boas vozes. Seu trabalho autoral, agora dominante
no repertório, revela uma compositora íntima do ofício.
Só que os apreciadores da intérprete podem estranhar
essa entrega quase exclusiva à composição (dez
faixas em 14), quando seu traço inequívoco é
a excelência vocal na obra alheia. Dois belos momentos da
canção brasileira foram a sua gravação,
em 1994, de Dois Irmãos, de Chico Buarque, e
a bem-vinda releitura da obra de Rita Lee.
Há uma
presença excessiva (em 12 faixas) das letras de Luiz Tatit
e sua dicção particular, para usar a expressão
do compositor José Miguel Wisnik. Isso impede fruição
maior de outras possibilidades da ótima cantora. Mas, mesmo
com todo esse unilateralismo de repertório, Estopim merece
aplausos. Faixas primorosas: Você se Foi (parceria
com Itamar Assumpção), Outra Viagem (José
Miguel Wisnik), Toque de Reunir (parceria com Luiz Tatit)
e uma feliz evocação da modinha caipira em Princesa
Encantada (Cacique e Antônio Correia). Menção
especial aos inventivos arranjos de Dante Ozzetti, liderando o seleto
grupo de instrumentistas.
Canto refinado
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