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EXPOSIÇÃO - Arte
Warhol
Centro Cultural Banco do Brasil - RJ
Ligia Canongia
Foto:
Divulgação

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Andy nasceu
Andrew Warhola, em 1928, na Pensilvânia (EUA), filho de tchecos
que chegaram ao país nos anos 10. Ainda adolescente, teve
três ataques de nervos, já demonstrando o temperamento
sensível e inquieto que o tornaria um dos maiores gênios
da pós-modernidade. Foi aos 21 anos, residindo em Nova York,
que passou a assinar Warhol. Começou trabalhando como vitrinista,
ilustrador e desenhista de publicidade, colaborando em revistas
como Vogue e Harpers Bazaar. Foi ainda cenógrafo e
interessou-se pelo teatro de Bertolt Brecht, cujo distanciamento
crítico lhe serviria na construção de sua obra
pop.
Sua primeira exposição foi em 1952, com ilustrações
para contos de Truman Capote. Mas seus primeiros desenhos a obter
fama foram os da série A la Recherche du Shoe Perdu (1955),
também a reboque de ilustrações, desta vez
de sapatos, para uma revista feminina. Ali surgia o tema que o perseguiria
por toda a carreira: a apropriação de produtos banais,
peças publicitárias e industriais e sua introdução
na esfera da arte.
O símbolo
da Coca-Cola e as latas de sopa Campbells uniam-se aos mitos
de Mona Lisa e Marylin Monroe e ainda a cadeiras elétricas
e desastres de automóveis. Tudo reduzido a simples mercadorias
inexpressivas, como reflexo da cultura de massa. Era o golpe fatal
sobre o humanismo.
A excentricidade
do artista que criou a mística da estupidez ganha um megaevento
no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, a partir
de terça-feira 12, em comemoração aos dez anos
da instituição. São 248 obras que pertencem
ao maior acervo privado de Warhol, a coleção Mugrabi.
A mostra abrange toda a obra do artista: das pranchas do livro A
la Recherche du Shoe Perdu, até a pintura a partir da Santa
Ceia de Leonardo da Vinci, realizada pelo artista um ano antes de
sua morte, em 1987. Entre os trabalhos expostos, dezenas de retratos
de personalidades como Liz Taylor, Marlon Brando, Mick Jagger, Mao
Tse-tung, Silvester Stallone, Basquiat, Dennis Hopper e Mickey Mouse.
A partir dessas
obras, o público vai perceber o cinismo que havia por trás
de Warhol, embora ele dissesse que não se deveria buscar
nada além da superfície em seu trabalho. Essa superfície,
porém, foi o sintoma mais trágico da devastação
que a cultura do consumo fazia sobre a inocência do estilo
de vida americano. Com ela, ficou claro que não havia mais
lugar para a originalidade na arte. O múltiplo havia despachado
o singular, a quantidade substituía a qualidade. A arte era
agora um produto anônimo, comercial e alienado como a própria
vida
Obra completa
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