14 a 21 de outubro de 1999
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EXPOSIÇÃO - Arte

Warhol
Centro Cultural Banco do Brasil - RJ

Ligia Canongia

Foto: Divulgação

Andy nasceu Andrew Warhola, em 1928, na Pensilvânia (EUA), filho de tchecos que chegaram ao país nos anos 10. Ainda adolescente, teve três ataques de nervos, já demonstrando o temperamento sensível e inquieto que o tornaria um dos maiores gênios da pós-modernidade. Foi aos 21 anos, residindo em Nova York, que passou a assinar Warhol. Começou trabalhando como vitrinista, ilustrador e desenhista de publicidade, colaborando em revistas como Vogue e Harper’s Bazaar. Foi ainda cenógrafo e interessou-se pelo teatro de Bertolt Brecht, cujo distanciamento crítico lhe serviria na construção de sua obra pop.
Sua primeira exposição foi em 1952, com ilustrações para contos de Truman Capote. Mas seus primeiros desenhos a obter fama foram os da série A la Recherche du Shoe Perdu (1955), também a reboque de ilustrações, desta vez de sapatos, para uma revista feminina. Ali surgia o tema que o perseguiria por toda a carreira: a apropriação de produtos banais, peças publicitárias e industriais e sua introdução na esfera da arte.

O símbolo da Coca-Cola e as latas de sopa Campbell’s uniam-se aos mitos de Mona Lisa e Marylin Monroe e ainda a cadeiras elétricas e desastres de automóveis. Tudo reduzido a simples mercadorias inexpressivas, como reflexo da cultura de massa. Era o golpe fatal sobre o humanismo.

A excentricidade do artista que criou a mística da estupidez ganha um megaevento no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, a partir de terça-feira 12, em comemoração aos dez anos da instituição. São 248 obras que pertencem ao maior acervo privado de Warhol, a coleção Mugrabi. A mostra abrange toda a obra do artista: das pranchas do livro A la Recherche du Shoe Perdu, até a pintura a partir da Santa Ceia de Leonardo da Vinci, realizada pelo artista um ano antes de sua morte, em 1987. Entre os trabalhos expostos, dezenas de retratos de personalidades como Liz Taylor, Marlon Brando, Mick Jagger, Mao Tse-tung, Silvester Stallone, Basquiat, Dennis Hopper e Mickey Mouse.

A partir dessas obras, o público vai perceber o cinismo que havia por trás de Warhol, embora ele dissesse que não se deveria buscar nada além da superfície em seu trabalho. Essa “superfície”, porém, foi o sintoma mais trágico da devastação que a cultura do consumo fazia sobre a inocência do estilo de vida americano. Com ela, ficou claro que não havia mais lugar para a originalidade na arte. O múltiplo havia despachado o singular, a quantidade substituía a qualidade. A arte era agora um produto anônimo, comercial e alienado como a própria vida
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