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Leon Cakoff: louco por cinema
Conheça um pouco mais o organizador da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, um dos maiores festivais do País

Lilian Amarante

Foto: PITI REALI

"Leon, invente alguma coisa para comemorar os trinta anos do MASP." Foi com poucas palavras que Pietro Maria Bardi, o fundador e diretor do Museu de Arte de São Paulo, falecido no início do mês, plantou a semente do festival de cinema mais badalado do Brasil: a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Sua sorte foi ter falado no ano certo - 1977 - para a pessoa ideal: o irrequieto jornalista Leon Cakoff. "Na época, eu programava o cinema do Museu e trazia alguns poucos filmes das minhas viagens ao exterior", diz Leon. Naqueles anos, ele já remava contra a maré, fazendo frente à larga produção de pornochanchadas brasileiras com pérolas do novo cinema suíço e alemão, como Aguirre, de Werner Herzog. "Queria conhecer coisas novas que não tinham espaço na programação dos cinemas brasileiros. Sempre fui movido pela insatisfação."

Hoje, no escritório onde coordena uma equipe de dez pessoas e recebe uma avalanche de filmes estrangeiros, Leon Cakoff, 51 anos, mostra na pele o resultado de tanta curiosidade e dedicação: uma infecção no nariz, decorrente da gripe que não teve tempo de tratar porque está finalizando a produção da 23.ª edição da Mostra. "É como se carregássemos uma tonelada de tijolos em uma semana, com uma carga de concentração enorme", explica Leon Cakoff, enquanto os telefones tocam sem parar. "No mês que antecede o festival, passar metade do tempo em telefonemas ou virar noites trabalhando são coisas normais. Às vezes temos que esperar até as 3h da madrugada para falar com a China", diz.

A volta ao mundo promovida pela Mostra passa por países tão diferentes quanto distantes: Argélia, Irã, Bélgica ou Tadjiquistão. A platéia, que começou com 30 mil pessoas, cresce ano a ano e tem, hoje, 160 mil pessoas ávidas por novidades.

A garimpagem de Cakoff já provocou confusões. Uma vez, na Argélia, para onde foi por conta própria atrás de um filme, ele teve que enfrentar a hostilidade contra estrangeiros. Passou três horas procurando uma rua sem conseguir informação e sem saber que estava na própria. Foi salvo por uma amiga francesa, que o encontrou por acaso. Na China, a confusão foi provocada pelo próprio Cakoff, quando mandou para o cineasta Wong Kar-Wai o disco Fina Estampa, de Caetano Veloso. O chinês gostou tanto do presente que usou uma das músicas - "Cucurrucucu Paloma" - para abrir seu filme. Meses depois, no Festival de Cinema de Cannes, Cakoff foi surpreendido pela música no longa-metragem de Kar-Wai. Ao lado dele, mais surpreso ainda, estava o produtor do cineasta Pedro Almodóvar, que iria utilizar a mesma música no filme Carne Trêmula - naquele momento, em fase de finalização. Foi o fim do plano do espanhol.

Ironicamente, foi o catecismo que despertou em Leon Cakoff a paixão pelo cinema. Filmes de O Gordo e o Magro e de Charles Chaplin costumavam abrir as aulas de religião que a mãe o obrigava a freqüentar aos 8 anos. A paróquia ficava perto da fazenda onde a família de armênios morava, nos arredores de São Paulo. "Passei a infância entre macacos, passarinhos e todo tipo de árvores, mas não perdia uma aula de catecismo", lembra Leon. Das sessões na paróquia ao cinema do bairro foi um pulo. Desse para as telas do centro da cidade, a uma hora e meia de distância, foi outro. Depois disso, Leon Cakoff não parou mais, para delírio do público.

Este ano, 150 filmes serão projetados nas duas semanas da Mostra, a partir do dia 15 de outubro. Escolher o melhor deles é impossível, mas dá para contar com tiros quase certeiros. O brasileiro O Primeiro Dia, de Walter Salles e Daniela Thomas, é um deles. Entre os americanos, A Teoria do Autor, de Evan Oppenheimer, ou Loucos do Alabama, de Antonio Banderas. O alemão Meu Melhor Inimigo, de Werner Herzog, o francês A Humanidade, de Bruno Dumont, ou a produção inglesa Guerra dos Outros, de Jasmin Dizdar, também estão bem cotados.

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