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LIVROS - Crônica
Ivan Vê o
Mundo - Crônicas de Londres
Ivan Lessa (Objetiva)
Geraldo Mayrink
Foto:
Divulgação
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É estranho
- ou não será? - que um dos melhores escritores brasileiros
fale pelo rádio e viva em Londres, lendo Machado de Assis
e ouvindo antigas marchinhas de carnaval. E que seja insuportavelmente
moderno. Ivan Lessa é também a voz de veludo
de Londres, como definiu O Pasquim. Tornou-se escravo das
ondas hertzianas, tão antigas como muitos de seus assuntos
em discos de vinil de 78 rotações por minuto. Em Ivan
Vê o Mundo (174 págs., R$ 17), reaparecem 42 das crônicas
que irradia pela BBC (uma espécie de Petrobras radiofônica,
no instrutivo e destrutivo prefácio do livro assinado pela
turma do Casseta & Planeta). Ivan escreve em ondas curtas e
parágrafos menores ainda. As ondas curtas o vento as leva.
As ondas escritas ficam cravadas. Filho de escritores, diz que nunca
aprendeu nada em livro algum, nem na Montanha Mágica.
Estranho. Parece conversa fiada, sô.
Que Ivan tenha
inventado sua própria era do rádio não tem
nada de estranho, pois o estrangeiro é o mundo assim
que a gente bota o pé numa rua fora de casa. Mora há
21 anos em Londres, tem uma filha adolescente e que não se
espere nada mais íntimo nesses textos em que há um
parágrafo inteiro sobre coisas que não o comoverão
- de pinheirinhos de Natal aos meninos do bairro cantando Noite
Feliz. Mas Ivan Lessa é comovente. Até no desespero.
Este fim de milênio está levando séculos
para acabar, resume admiravelmente uma das crônicas
do livro, de exatas nove palavras, aqui reproduzidas.
Do balacobaco, como outrora
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