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27/08/2001
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CAPA
Cláudia Raia em 10 lições - CONTINUAÇÃO
| Elena
Vetorazzo |
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| Para
manter a forma, Cláudia não bebe, não fuma, faz musculação cinco
dias, corre três dias por semana e ainda tem aulas de balé |
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Comemorou dez anos sem fumar
Dizem que é só depois de dez anos de abstinência
que uma pessoa pode se considerar livre de um vício. Em 7
de junho passado, fiz um bolo, escrevi meu nome em cima e comemorei
dez anos sem pôr um cigarro na boca. Comecei a fumar aos 12,
por inveja da minha irmã (Olenka Raia), que fumava.
Tinha um porão na academia de ginástica da minha mãe,
em Campinas, onde ficavam guardadas peças de roupa. Eu ia
lá todo dia, me vestia de diferentes maneiras e fumava na
frente do espelho. Um dia minha mãe apareceu e amassei o
cigarro com a mão. Cheguei a fumar dois maços e meio
por dia. Percebia minha respiração ofegante. Nessa
época, não conseguia tomar banho sem dar uma tragada
debaixo do chuveiro. Precisava, às vezes, de bombinha de
oxigênio para respirar melhor. Um dia sonhei que sofria de
enfisema pulmonar e decidi parar. Procurei um acupunturista e, em
uma semana, deixei o cigarro.
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Sofreu queimadura de 2º grau no rosto
Na nossa casa, em Campinas, trabalhava a cozinheira Maria,
a nossa mãe preta. Ela era gorda, hilária e tinha
um jeito especial de fritar bife. Maria lotava a frigideira de óleo
quente, deixava o bife escorregar e logo tudo estava pronto. Eu
achava lindo. Um belo dia, ela se distraiu e eu, rápida e
arisca, joguei o bife no óleo. O óleo espirrou no
meu rosto. Por pouco não fico cega aos 11 anos. Tive queimaduras
de segundo grau, fui para o hospital, mas não queria ficar
lá. No dia, ia acontecer um desfile na academia da minha
mãe. Implorava para arrumarem uma máscara com purpurina
para cobrir os ferimentos e poder participar do desfile. Mas acabei
ficando três dias no hospital. Por sorte, não tenho
marcas no rosto, mesmo com essa pele branquinha.
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Elena Vetorazzo |
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| “Cheguei
a fumar dois maços e meio de cigarro por dia. Não conseguia
tomar banho sem dar uma tragada debaixo do chuveiro’’ Cláudia
Raia |
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Foi interrogada numa delegacia na Argentina
Com 15 anos participava do musical Sextante no teatro
El Nacional, em Buenos Aires. Estava lá de férias
com minha avó, fiz um teste para o musical e passei como
primeira bailarina. Fiquei na Argentina um ano. Naquela época
de ditadura, o país guerreava com a Inglaterra pelas Malvinas.
Lá, existia um procedimento chamado averiguação
de antecedentes. Funcionava assim: a polícia parava e levava
para um interrogatório na delegacia qualquer um que ela desconfiava
ser homossexual. Um dia, passeava com vários gays e fui pega.
Na delegacia, queriam que eu delatasse meus amigos. Não cooperei.
Por ser menor, não encostaram a mão em mim. Fui solta
graças a minha mãe que, por sorte, estava na Argentina.
Ao sair, fui atrás de uma vedete conhecida por lá
para ajudar a soltar meus amigos. Assim que fui liberada, soube
que o teatro pegou fogo. Não sabia se corria para o El Nacional
ou procurava ajuda. No final, meus amigos foram soltos, mas apanharam
um bocado da polícia.
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