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O
Candomblé da Bahia
Sociólogo
francês abre o universo dos orixás para os leigos
Francisco
Viana
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baiano: fascínio para francês Roger Bastide |
Tudo
começou em 1944 quando o sociólogo Roger Bastide,
francês de nascimento, baiano de coração, chegou
a Salvador atraído pela magia do candomblé. Por aquela
época, os rituais, danças e cânticos dos terreiros
ainda eram vistos com discriminação, coisa de
negros, no dizer das elites, e só não eram mais
perseguidos pela polícia graças à proteção
de intelectuais como Jorge Amado e Pierre Verger, este também
francês. Bastide, que viveu 16 anos no Brasil, mergulhou de
corpo e alma no mundo dos orixás e seus antepassados, da
filosofia africana e dos seus espaços sagrados e profanos.
Ao final, criou O Candomblé da Bahia (Cia. das Letras,
480 págs., R$ 37), publicado pela primeira vez, em Paris,
nos idos de 1958 e, agora, reeditado. Dividido em seis capítulos,
traz à luz um mundo que é o elo de unidade entre o
Brasil e a África, entre negros e gente de todas as raças,
uma geografia religiosa e mística que faz do ser um reflexo
dos deuses.
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O capítulo
mais empolgante, talvez, seja o que fala dos eguns, uma espécie
de maçonaria em que as mulheres são excluídas,
e os espíritos, ao contrário do candomblé tradicional,
não precisam de filhos ou filhas de santo para incorporar.
Nessa sociedade secreta, com sede até hoje na Ilha de Itaparica,
os espíritos simplesmente aparecem, nas festas aos mortos,
em formas nebulosas, confundindo-se com árvores, o vento
e os homens. Numa época em que grassam as seitas e o apelo
de falsos deuses, o Candomblé de Bastide surge como uma metáfora
da utopia moderna que pode nascer tanto da beleza dos rituais religiosos
como da fraternidade humana, acima da cor da pele ou da diversidade
de crenças, que é justamente a essência da arte
de viver sem preconceitos, nem fanatismos. Para entender os orixás
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