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Fernanda
Montenegro

A grande dama da interpretação
“Ter sobrevivido, ter chegado ao fim do século 20, fazendo com amor o meu ofício, é o que considero a coisa mais importante da minha vida. O resto são detalhes dessa trajetória”

(1930)

A carioca Arlete Esteves Pinheiro da Silva sempre soube que seria atriz. Trocou de nome na adolescência. O sobrenome Montenegro foi inspirado num médico homeopata, que, segundo ela, era um “milagreiro” – pode-se acreditar que reside aí a explicação para tanto sucesso. Mas a carreira vitoriosa de Fernanda não resulta de qualquer milagre e sim de doses extras de talento, obstinação, dedicação e trabalho, combinação que fez dela a primeira atriz brasileira a ser alçada à fama internacional aos 70 anos. A estréia na profissão foi em 1950, no teatro, na peça Alegres Canções nas Montanhas, ao lado do futuro marido e com quem vive até hoje, o ator Fernando Torres. No cinema, recebeu o prêmio Molière de melhor atriz com Eles não Usam Black-tie (1980), de Leon Hirszman e Gianfrancesco Guarnieri. O filme tem uma cena clássica, em que Romana, a personagem de Fernanda, escolhe humildemente os feijões para o almoço.

Humildade, aliás, não deve ser coisa difícil para Fernanda incorporar aos personagens quando precisa. Longe de querer alimentar a lenda em torno de si, a impressão que fica é a de alguém que quer apenas fazer seu trabalho, muito bem feito, e só. Depois de interpretar papéis inesquecíveis no teatro, no cinema e na televisão, Fernanda encarnou a personagem Dora, de Central do Brasil, filme de Walter Salles Jr. que fez dela a primeira latino-americana a ser indicada ao Oscar de melhor atriz, em 1999, e lhe deu um Urso de Prata no Festival de Berlim. Ao saber que integra uma edição sobre as mulheres mais importantes do século, Fernanda surpreendeu-se: “Tudo o que tenho a dizer é que tenho uma vocação e exerço o meu ofício com todo o amor e dedicação possíveis. O que me orgulha é saber que cheguei até aqui, até o fim do século 20, e posso dizer que sou uma sobrevivente. Sou fruto da garra, da força e do amor dos meus antepassados portugueses e italianos. Não fui feita agora, e se agora tenho todos os holofotes sobre mim, é porque tenho a herança de luta dessa gente. O mérito não é meu”.

 
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