A ialorixá que irradiou ternura
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(1894
• 1986)
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“A
mão da doçura tá no Gantois”, diz o verso da canção “Mãe Menininha”,
que Dorival Caymmi fez em homenagem à mãe de santo mais adorada
do Brasil. “Uma filha de escravos que se fez rainha, orientando
o povo baiano com exemplar dedicação e perene bondade”, como
definiu-a Jorge Amado, um dos seus maiores amigos e admiradores.
Cantada em prosa e verso também por Vinícius de Moraes, ela
foi conselheira espiritual de muitos artistas e políticos famosos.
No casarão branco no Alto do Gantois, em Salvador, Mãe Menininha,
com suas muitas saias de renda imaculadas, guias e óculos de
lentes grossas, exerceu o seu reinado durante 64 anos. A ialorixá,
que nasceu Maria Escolástica da Conceição Nazaré, assumiu a
chefia do terreiro em 1922, aos 22 anos de idade, segundo consta
por determinação de Oxóssi, Xangô, Oxum e Obalauê. “Quando os
orixás me escolheram, eu era muito nova e não recusei, mas balancei
porque é uma obrigação muito árdua.” Mas Mãe Menininha foi também
uma das maiores conhecedoras da religião afro no Brasil, procurada
por sociólogos e antropólogos de todo o mundo em busca de informações
para teses e estudos acadêmicos. Morreu aos 92 anos, em 1986.