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Irmã
Dulce

O anjo dos desvalidos da Bahia
“Como católica e brasileira, meu dever é ajudar.
As obras não são minhas, são de Deus”

(1914 •1992)

Ela era chamada de Irmã Dulce dos pobres, Peregrina da Caridade ou Mãe Dulce pelos milhares de indigentes que atendia, mas a verdade é que todos gostariam de chamá-la de Santa Dulce da Bahia, como fazia o escritor Jorge Amado. Maria Rita Lopes Pontes sempre foi considerada uma santa viva. Em 1991, em seus últimos meses de vida, recebeu a visita do papa João Paulo II -- que mudou o rumo das atividades programadas para vê-la no leito do hospital --, enquanto milhares de peregrinos rezavam por ela nas ruas de Salvador, pedindo a salvação da freira que dedicou sua vida às obras sociais e à caridade.

Professora, aos 18 anos entrou para o Convento das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, em Sergipe. Em 15 de agosto de 1934, fez sua profissão de fé e voltou a Salvador. Começou seu trabalho num barracão, para onde levava doentes e desabrigados. Depois ocupou um galpão e, despejada pelo proprietário, transformou o galinheiro do Convento Santo Antônio em albergue para os pobres. Anos depois, em 1959, Irmã Dulce conseguiu um terreno para construir o Albergue Santo Antônio. Em 1970, foi fundado o Hospital Santo Antônio, ao lado do albergue, obra que hoje possui mais de 1.000 leitos e atende a 4.000 pessoas por dia. Irmã Dulce também abriu um orfanato para 300 menores e passou muitos anos saindo diariamente para pedir donativos de porta em porta. Sua obra foi crescendo e ela percebeu que era preciso trocar as ruas pelos gabinetes das autoridades e empresários, num trabalho incansável atrás de verbas. Abnegada, a freira baiana viveu como franciscana: dormiu por 30 anos numa cadeira de madeira, até ser proibida pelo médico. Em 1990, com os pulmões abalados e sérios problemas respiratórios, entrou numa agonia que durou 16 meses, até ser levada do hospital para o Convento Santo Antônio, onde morreu, em 13 de março de 1992. “Quero morrer aos lado dos pobres”, pediu.

 
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