A
mulher que liderou o
movimento pela anistia
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(1927)
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Durante
o depoimento de Therezinha no Doi-Codi – órgão de repressão
do governo no regime militar –, o major afastou a cadeira e
gritou: “A senhora é uma mentirosa!”. Ela se levantou e retrucou:
“E os senhores são torturadores!”. Era o ano de 1970, início
da era mais sombria do regime, e Thereza Godoy Zerbini sabia
que desacatar militares era como tentar o suicídio. Casada com
o general Euryale de Jesus Zerbini, cassado em 1964, dona-de-casa
e mãe de dois filhos, ela promoveu uma das maiores campanhas
de direitos humanos do País, à frente do Movimento Feminino
Pela Anistia. Liderou negociações pela aprovação da lei da anistia,
lutou para libertar presos políticos e reacendeu a esperança
pelo fim do regime. A idéia de organizar a campanha pela anistia
surgiu numa cela do Presídio Tiradentes, em 1970, onde esteve
presa por seis meses. “Ali, na sala de tortura, vi um homem
mergulhado numa poça de sangue”, lembra. Decidiu que ao sair
da prisão daria início ao movimento, o que só se concretizou
em 1975, pela dificuldade de mobilização. A anistia ampla, geral
e irrestrita chegou, finalmente, em 1979.