A
mulher que deixou o sertão
para comandar São Paulo
“Vejo
a política como um instrumento de transformação e melhora da
sociedade. No dia em que eu perder essa visão, saio da política”
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(1934)
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Nordestina,
nascida em família pobre, buscou o próprio caminho com muito
estudo e trabalho na cidade grande. Luiza Erundina de Sousa
nasceu no sertão da Paraíba, em Uiraúna. Filha de Antônio Evangelista
de Sousa, agricultor e artesão, e Enedina, mãe de dez filhos
e vendedora de café e bolo na feira local, Luiza conta que cresceu
marcada pela migração. “Meu pai vivia levando a família para
cada canto desse País.” Sua vontade de estudar era tão grande
que, aos 10 anos, ela se mudou para a casa de uma tia em Patos,
na Paraíba, para terminar o primário e cursar o ginásio. Formou-se
em Serviço Social em João Pessoa, fez mestrado em Ciências Sociais
na Universidade de São Paulo e retornou a João Pessoa para lecionar.
Em
1971, no auge da ditadura, perseguida por causa de suas idéias
de justiça social, Luiza mudou-se para São Paulo. Nomeada assistente
social da Prefeitura, foi trabalhar nas favelas da periferia.
Em 1979, eleita presidente da Associação Profissional das Assistentes
Sociais de São Paulo, recebeu convite do metalúrgico Luís Inácio
Lula da Silva para fundar o Partido dos Trabalhadores. Em 1982,
elegeu-se vereadora pelo PT de São Paulo, com 26 mil votos.
Em 1986, foi eleita deputada estadual, com 35 mil votos. Em
1988, indicada pelo PT para disputar a Prefeitura de São Paulo,
tornou-se a primeira prefeita da história da cidade, com 1.534.547
votos. Sucedeu Jânio Quadros, de quem herdou dívidas e serviços
públicos deteriorados, e fez uma administração em que privilegiou
a educação, a saúde, o transporte e os serviços sociais. Em
1993, foi nomeada ministra da Administração Federal no governo
de Itamar Franco. Derrotada na eleição de 1996, hoje, aos 65
anos, a deputada federal pelo PSB Luiza Erundina é candidata
mais uma vez à Prefeitura de São Paulo. Mais do que um ícone
que sintetiza a trajetória dos milhões de mulheres anônimas
que um dia deixaram o sertão, ela representa a perseverança
de todas as que resolveram enfrentar e vencer, a despeito dos
preconceitos e adversidades.