A
conquista do direito ao voto feminino
Um
colunista de um jornal carioca escreveu, em 1918, um artigo
maldoso dizendo que as brasileiras não iriam sofrer nenhuma
influência da luta pelos direitos femininos na Inglaterra. A
paulistana Bertha Lutz, que acabara de voltar da França como
bacharel em Ciências na Sorbonne, indignou-se. Respondeu com
a sugestão de se criar um movimento de luta pelos direitos femininos.
Filha do famoso cientista Adolfo Lutz, Bertha tinha então 24
anos. Bióloga e advogada, ela adotou a causa do voto feminino.
Depois de inúmeras participações em congressos, ligas e organizações
pelo mundo durante a década de 20, em 1932 Bertha viu Getúlio
Vargas aprovar o novo Código Eleitoral contendo o direito de
voto das mulheres. Foi a realização de um grande sonho. Aliada
à luta pela causa feminina, ainda teve tempo de trabalhar, por
mais de 40 anos, como pesquisadora científica na área de zoologia.
Como se não bastasse, descobriu quase uma dezena de espécies
anfíbias e deixou seu nome nos círculos da ciência internacional.