A maior cantora do Brasil
"A coisa mais importante do mundo é a
minha casa!”
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(1945•1982)
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A
platéia gritou histérica quando Elis levantou e girou os braços
ao redor de si mesma, como se fosse um helicóptero, enquanto
cantava “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes. Era a
primeira vez que aparecia para o grande público, no I Festival
da TV Excelsior, em 1965, mas a julgar pelo comportamento da
platéia, tudo levava a crer que ela fosse uma estrela consagrada.
Apesar de ter apenas 20 anos, Elis Regina de Carvalho Costa
era uma veterana, pois já cantava havia pelo menos seis anos.
A gaúcha de Porto Alegre que começou a cantar nas rádios aos
14 anos, era chamada de Pimentinha por Vinícius de Moraes, e
de Hélice, mas preferia o merecido apelido de “A Voz do Brasil”.
Considerada
uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, nunca
houve uma intérprete com tanto carisma. As interpretações apaixonadas,
a enorme popularidade, o temperamento explosivo e a morte prematura,
aos 36 anos, por overdose de cocaína e álcool, fizeram de Elis
um mito. Sua relação com as drogas foi rápida e fulminante.
Assim como sua carreira. Em pouco menos de 20 anos, gravou 31
discos com o melhor que a MPB já produziu. São clássicas na
voz de Elis as gravações de “Como Nossos Pais”, de Belchior,
“Travessia”, de Milton Nascimento, e “Águas de Março”, de Tom
Jobim. A carreira internacional só não vingou porque a estrela
não suportava ficar muito tempo longe do Brasil. No Olympia,
em Paris, voltou ao palco seis vezes atendendo aos pedidos de
bis da platéia. Com os dois maridos, os músicos Ronaldo Bôscoli
e César Camargo Mariano, teve relacionamentos conturbados. Mas
cuidou intensamente dos filhos – João Marcelo, do primeiro casamento,
e Pedro e Maria Rita, do segundo – enquanto pôde. Amada e idolatrada,
Elis deixou saudade. Sua morte repentina, em janeiro de 1982,
chocou o Brasil. “Não tenho tempo para desfraldar outra bandeira
que não seja a da compreensão, do encontro e do entendimento
entre as pessoas”, disse Elis, poucos meses antes de sua morte.