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Clarice
Lispector

A escritora que desvendou as almas
"Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de
alguém. Provavelmente a minha própria vida"

(1920•1977)

Aos 9 anos, a menina triste, de luto pela mãe, escrevia suas histórias e as enviava para o suplemento infantil do Diário de Pernambuco, em Recife, onde morava. Eram sistematicamente recusadas, embora o jornal publicasse uma página de composições infantis. Motivo? Não tinham enredo, fatos, trama, só o registro de suas sensações. Clarice Lispector já mostrava ali a marca de sua obra – a busca da essência do ser. Muitos anos depois, pelas mesmas razões, ela seria despedida do Jornal do Brasil. Suas crônicas foram consideradas herméticas demais para o gosto do público. “Tudo que escrevi estava guardado dentro de mim”, afirmou Clarice. Uma obra exuberante, na qual é difícil separar a mulher e a escritora, personagens das mais misteriosas da literatura brasileira, ambas mergulhadas em angústias e incertezas.

Os mistérios de Clarice começam na cor dos seus olhos – castanhos nas fotos de documentos, verdes para uns, azuis para outros. Prosseguem no segredo de sua idade. A escritora dizia ter nascido em 1923, 1925 ou, ainda, 1927. Na verdade, nasceu em 1920. Filha dos judeus Pedro e Mariam Lispector, ela nasceu na Ucrânia e emigrou com os pais e as duas irmãs para Recife ainda bebê. Na adolescência, mudou-se com a família para o Rio, onde formou-se em Direito e começou a trabalhar como jornalista na Agência Nacional e no jornal A Noite. Em 1944, lançou seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem, que se tornaria um clássico da literatura brasileira. Casada com o diplomata Maury Gurgel Valente, ela acompanhou-o em suas viagens pelo mundo entre 1944 e 1959, quando nasceram seus dois filhos, Pedro e Paulo. Separada do marido, voltou ao jornalismo, com uma coluna para mulheres no Correio da Manhã. Durante mais de 30 anos, dedicou-se à literatura, mas seus livros, aplaudidos pela crítica, não lhe garantiram tranqüilidade financeira. Quando morreu de câncer, em 1977, aos 57 anos, estava internada num hospital público. Até o último minuto de sua vida, escrevia frases como: “Eu, se não me falha a memória, morrerei”.

 
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