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Hortência

A rainha do basquete
"Sempre entrei na quadra para vencer"

(1957)

Ela foi assaltada no aeroporto minutos antes de embarcar com a equipe da seleção brasileira de basquete para a Bulgária, em 1980. Sem o passaporte, a viagem teve de ser cancelada. Mas o dia seguinte, sexta-feira, seria feriado e o embaixador búlgaro estava pescando. Sem pensar duas vezes, ela avisou a imprensa. Acompanhada de jornalistas da televisão, foi buscar o homem em alto-mar e tirou um passaporte novo em 15 minutos. “Foi uma loucura, mas eu embarquei e isso era o que me interessava”, lembra Hortência de Fátima Macari Oliva, uma mulher que nunca foi de esperar as coisas caírem do céu. A maior jogadora brasileira e uma das melhores do mundo em todos os tempos, depois de “comer o pão que o diabo amassou”, como gosta de dizer, entrou para a seleção brasileira aos 16 anos. Ao lado de outra estrela do basquete, a lateral-armadora Paula, formou uma dupla infalível. Com 1,74 metro de altura e uma assustadora intimidade com a bola, fez cair a seus pés os torcedores brasileiros. Antes dela, o basquete feminino no Brasil tinha um público ínfimo e era pouco divulgado pela mídia.

Hortência jogou durante 22 anos e deu ao País dois campeonatos sul-americanos, em 1986 e 1989, medalhas de bronze, prata e, em 1991, ouro nos Jogos Pan-Americanos, uma conquista histórica. Em Havana, sede dos Jogos, ela derrotou as virtuosas cubanas duas vezes e produziu um milagre: até Fidel Castro torceu por ela. Em 1990, bateu o recorde mundial com 121 cestas em uma só partida e, em 1994, ganhou o prêmio de melhor lateral do mundo. Quando abandonou o esporte, aos 36 anos, em 1992, não saiu sem um gosto de vitória. Levou a seleção às Olimpíadas de Barcelona e ganhou a medalha de prata, feito inédito para o Brasil. Mãe de dois filhos, de seu casamento com o empresário José Victor Oliva, a atleta que já posou nua para uma revista hoje dirige a equipe do Paraná, apresenta um programa de televisão e mantém um projeto beneficente: 2.500 crianças praticam basquete sob os olhares atentos da Rainha.

 
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