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Dorina
Nowill

Ela trouxe a imprensa Braille para o Brasil
Nunca me revoltei por ter ficado cega

(1919)

Dorina tinha 16 anos e tomava chá com as colegas do colégio, quando viu uma “cortina de sangue” escorrendo sobre seus olhos. Sem se desesperar, chamou uma amiga e pediu que a levasse até sua casa. Dias depois, descobriu que fora vítima de uma hemorragia e perdera a visão. “Nunca vou me esquecer dessa tarde”, lembra hoje, aos 80 anos, mãe de cinco filhos e avó de 12 netos. “Mas jamais senti revolta por isso. Também não me conformei, passivamente. Eu me adaptei e venci.” A frase é dita sem um pingo de mágoa. Ao contrário. A voz de Dorina é límpida e juvenil, como também é o seu espírito, que a tornou protagonista de uma história admirável.

Alguns anos depois de ficar cega, esta paulistana continuou seus estudos na Escola Caetano de Campos, onde criou um curso de especialização em ensino de cegos, o primeiro da América Latina, e começou a formar pessoas nessa área. Foi Dorina também quem propôs a lei, aprovada, que garante a matrícula de cegos em qualquer escola. Mas sua conquista mais importante foi a criação da Fundação para o Livro do Cego no Brasil (hoje Fundação Dorina Nowill), e a implantação da imprensa Braille no País. Hoje, a fundação produz 100 mil volumes por ano e fornece livros para 700 organizações. Quando não está na Fundação, Dorina gosta de tecer tapetes e tocar órgão. Mas também ama viajar: já fez 76 viagens internacionais. “Gosto de estar em ambientes diferentes, recebendo estímulos do calor, da brisa, dos aromas”, diz ela, cercada de amigos das mais variadas tendências. Do escritor Érico Veríssimo, recebeu uma carta, certa vez: “Dorina, sua vida é um romance que eu gostaria de ter escrito. Criaturas como você – com seu espírito e sua coragem – constituem um enorme crédito para a raça humana”.

 
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