A
primeira a falar sobre sexo na tevê
“Sou
privilegiada, porque tenho um marido que
sempre me incentivou e nunca me tirou o tapete”
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(1945)
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Psicóloga
formada pela PUC de São Paulo, Marta começou a ficar conhecida
em 1980, quando apresentava o quadro “Comportamento Sexual”,
da TV Mulher, programa da Rede Globo. Naquelas manhãs, milhões
de telespectadores podiam aprender um pouco mais sobre assuntos
como gravidez na adolescência, ejaculação precoce, masturbação
e orgasmo, em uma atitude inédita na televisão. O programa causou
a ira das conservadoras Senhoras de Santana, que passaram a
fazer manifestações em frente à emissora. O quadro se manteve
até 1986, quando foi tirado do ar. Em 1987 e 1988, Marta foi
para a TV Manchete, onde apresentou um programa com o mesmo
nome e formato. Tempos depois, como deputada federal pelo PT
(eleita com 76 mil votos), ela voltou à área comportamental.
Defensora de causas como a legalização do aborto, a união civil
de homossexuais e o controle do sexo e da violência na televisão,
ela recebeu no primeiro turno das eleições ao governo do Estado
de São Paulo, em 1998, nada menos que 3,8 milhões de votos.
No
Congresso, Marta levou à discussão as questões da aids, da educação
sexual na escola e da discriminação da mulher no trabalho. “Ela
ainda tem um salário defasado em relação ao homem”, diz. Ela
criou um grupo, Tver, para analisar a programação da televisão.
“Não suportava mais ver sushis servidos sobre o corpo de mulheres
e brincadeiras na banheira.” Casada há 35 anos com o senador
petista Eduardo Suplicy, Marta orgulha-se de conseguir dar conta
da vida profissional e pessoal. É mãe coruja de Supla, de 33
anos, André, de 32, e João Suplicy, de 25 anos. Vaidosa, aos
55 anos ela tem uma forma física capaz de fazer inveja a muita
adolescente. Cuidar da aparência é um ato que condiz com sua
eterna preocupação com as questões que envolvem a mulher. “Se
neste século que passou ganhamos a possibilidade teórica de
ocupar espaços que sempre foram dos homens, no próximo o grande
desafio é fazer a teoria virar realidade. Temos tudo para isso”,
conclui.