A
revolução pela alegria
"Eu
faço qualquer coisa que me dê alegria e
dinheiro, seja Shakespeare ou Gloria Magadan"
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(1945
1972)
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A
breve história de Leila Diniz foi como um terremoto a sacudir
os usos e costumes da sociedade brasileira – especialmente nos
anos 60, quando ela se transformou no maior ícone da liberdade
feminina. O mundo ouvia rock’n’roll, o Brasil irradiava a bossa
nova e Leila desafiava, enfrentava, estimulava e divertia os
brasileiros com atitudes e simbolismo. Como atriz, tornou-se
musa do embrionário cinema novo, movimento que propunha o rompimento
dos padrões estéticos adotados até então – com base forte no
modelo hollywoodiano.
No
plano pessoal, desafiava regras que julgava impostas: era capaz
de dizer palavrões em público, dar entrevistas em que revelava
preferências sexuais ou trocar de namorado sem dar satisfações
a ninguém. Em 1969, em entrevista ao jornal alternativo Pasquim,
motivou a lei de censura prévia, apelidada de Decreto Leila
Diniz, produzida pelo ministro da Justiça, Alfredo Buzaid. “Você
pode amar muito uma pessoa e ir para a cama com outra. Já aconteceu
comigo”, dizia. Sua imagem mais célebre, de 1971, na qual posou
grávida de biquíni, na praia carioca de Ipanema, tinha o ineditismo
incômodo que levou-a a ser acusada por feministas de servir
aos homens.
A
esquerda a considerava artificial e a direita, imoral. Leiluska,
como era chamada pelos amigos, saiu de casa aos 17 anos para
morar com o cineasta Domingos de Oliveira, que a dirigiu em
Todas as Mulheres do Mundo (1966). Mais tarde, casou-se com
o também cineasta Ruy Guerra, pai de sua única filha, Janaína.
Sete meses depois do nascimento da menina, Leila morreu no acidente
aéreo em que o avião da Japan Airlines explodiu perto de Nova
Déli, na Índia. A atriz voltava da Austrália, onde participara
do Festival Internacional de Adelaide para promover o filme
Mãos Vazias. Leila havia antecipado o vôo de volta por causa
da saudade que sentia da filha. Mãe devotada, morreu aos 27
anos e deixou um exemplo para sua geração: Leila viveu a vida
com autenticidade, espontaneidade, irreverência, alegria e muita
paixão.