O
pivô da revolução de 30
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(1905
1930)
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Morena,
com seus cabelos curtíssimos, à la garçonne – ousadia na época
–, e freqüentadora de rodas literárias, onde sempre era a única
mulher, Anayde causava estranheza na conservadora sociedade
paraibana. Fazia poemas e condenava, em textos publicados em
algumas revistas, o preconceito contra a mulher. Mas segundo
seu biógrafo, José Joffily, Anayde teve seu nome excluído das
páginas da história oficial da Paraíba. Grande parte de sua
produção literária foi queimada depois que ela e seu noivo,
João Dantas, morreram. Ela era namorada do advogado João Dantas,
cuja família era inimiga política de João Pessoa, então presidente
da Paraíba. Apaixonados, trocavam cartas e poemas, guardados
num cofre no escritório de Dantas. Um dia, o escritório do advogado
foi saqueado, o cofre, arrombado e todo o conteúdo dele espalhado
na rua – até o diploma de professora de Anayde. Desconfiado
de que o ato fora encomendado por João Pessoa, Dantas matou-o
com dois tiros no peito, em Recife. Morreu na prisão, oficialmente
um caso de suicídio, versão até hoje contestada por historiadores.
Perseguida e obrigada a sair da capital paraibana, Anayde abrigou-se
em Recife, onde acabou se matando.