A atriz que personificou o
mito da mulher brasileira
Namorei muito, mas sempre namorei
apaixonada
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(1950)
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Morena,
dona de um sorriso lindo e um corpo sensual, Sônia Braga revolucionou
o País em 1975, ao encarnar a brejeira Gabriela, personagem
de Jorge Amado, na novela da Rede Globo. Até então, a sensualidade
não estava presente na tevê. Vestida de chita em cima dos muros,
ou em cenas amorosas com seu Nacib, interpretado por Armando
Bogus, Sônia deixou aflorar uma carga erótica sutil que, mais
tarde, iria pautar as outras novelas. Sônia também mudou o padrão
de beleza do País. Depois dela, as mulheres brasileiras passaram
a se identificar com seu tipo físico, de cabelos negros ondulados,
ancas largas e pele morena.
A
paraneaense Sônia, que diz ter descoberto a própria sensualidade
com Gabriela – que também interpretou no cinema, em 1983, no
filme de Bruno Barreto – ainda fez outras personagens do escritor
baiano. Em 1976, fez Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno
Barreto, uma das maiores bilheterias do cinema brasileiro, e,
depois de um exílio de nove anos nos Estados Unidos, voltou
ao País em 1995 para filmar Tieta do Agreste, adaptação do romance
de Amado dirigida por Cacá Diegues.
Sem
papas na língua, com cabelo solto e sem um pingo de maquiagem
no rosto, jamais retocado por um bisturi, Sônia é uma antiestrela.
Nos Estados Unidos, onde é considerada a maior atriz exportada
pelo Brasil desde Carmem Miranda, vive de participações no cinema
e na tevê que lhe rendem bem mais do que ganharia no Brasil,
cerca de US$ 300 mil por ano. Com uma lista de ex-namorados
que inclui os atores Robert Redford e Clint Eastwood, e o compositor
Caetano Veloso, Sônia preferiu não casar nem ter filhos. E,
à maneira das personagens de Jorge Amado, aproveitar a liberdade
e buscar – como diz a composição de Caetano inspirada nela –
um lugar onde a tigresa possa mais do que o leão.