A maior estrela do cinema francês
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(1943)
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O
diretor Alfred Hitchcock criou toda uma estética baseada em
um tipo de mulher: a loira clássica e elegante, que esconde
um vulcão de sensualidade por trás da aparência gélida. Não
por acaso, tinha o sonho de filmar com a parisiense Catherine
Deneuve, o símbolo desta fantasia. Mas morreu antes de realizar
o desejo. Catherine passou a vida explicando em entrevistas
que nada tem a ver com a personagem que consolidou. Ela se diz
muito mais uma mediterrânea carnal do que a européia contida.
“Gosto de sol, de natureza e de terra. Só pareço sofisticada.
Na verdade, sou selvagem”, afirmou. Mas mesmo que protagonize
uma deusa do sexo nas telas, não irá parecer vulgar. A sua personagem
mais célebre, a Sevérine de A Bela da Tarde, de Luis Buñuel,
é a prova disso. Na pele da dona-de-casa insatisfeita com o
casamento, que se prostitui nas tardes de ócio, Catherine conseguiu
imprimir um erotismo chique e enigmático, por mais improvável
que possa parecer.
O
rosto de traços perfeitos e o porte elegante ainda são marcantes
na maior estrela do cinema francês, que irá completar 57 anos
em 22 de outubro de 2000. Com Hollywood, suas relações foram
distantes. Preferiu trabalhar com cineastas europeus e nunca
se empolgou com o brilho do cinema americano. Aos 50 anos, em
1993, concorreu ao Oscar de melhor atriz com o filme Indochina,
de Régis Wargnier. Apesar da imagem de inatingível, Catherine
mergulhou de cabeça no cinema e nunca temeu papéis polêmicos
ou difíceis. Em Tristana, de Buñuel, interpretou uma mulher
doente que tem a perna amputada. Com Polanski fez Repulsa ao
Sexo, drama de suspense que lhe valeu várias críticas positivas.
Interpretou homossexuais em Fome de Viver e Os Ladrões. Tornou-se
tão íntima da câmera que jamais fez teatro. Mãe de dois filhos
– Christian, de 37 anos, de seu casamento com Roger Vadim, e
Chiara, de 28, de seu romance com Marcello Mastroianni – e avó
coruja de um menino de 3 anos, filho de Chiara, Deneuve sempre
preservou sua vida pessoal. “Considero a intimidade o maior
bem que possuo”, costuma dizer a estrela.