A maior expressão nacional da arte
Sou apenas uma
aplicada operária da arte
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(1913)
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Adolescente,
no Japão, Tomie Nakakubo disse ao pai que gostaria de ser artista.
Em resposta, recebeu um severo “não”. Ela estava sendo educada
para casar e ter filhos. E assim foi. Anos mais tarde, já morando
no Brasil, Tomie casou-se com o engenheiro agrônomo Ushio Ohtake
e teve dois filhos. Por longo tempo, desempenhou o papel de
esposa e mãe exemplar. Mas a vontade de ser artista reapareceu
ao visitar a exposição do pintor japonês Keisuke Sugano, em
São Paulo, em 1952. Tomie era uma pacata dona-de-casa de 39
anos quando decidiu seguir o conselho de Sugano e transformar
a pequena sala de visitas de sua casa num ateliê. Começou retratando
a paisagem do bairro paulistano da Mooca, onde morava. Três
anos depois, trocou a arte figurativa pela abstrata. “Queria
pintar o que vinha do coração e não apenas o que via”, explica.
Além de pintora e escultora, Tomie é gravadora há 30 anos.
Premiada
no Salão Nacional de Arte Moderna, em 1960, a artista participou
pela primeira vez da Bienal Internacional de São Paulo em 1961.
Muitas outras seguiram-se a partir daí, com trabalhos instigantes
e aplaudidos pela crítica. Tomie também fez carreira internacional,
expondo em vários países. Em 1972, suas litografias foram exibidas
na Bienal de Veneza, ao lado de nomes consagrados internacionalmente,
como Robert Rauschenberg. Em 1984, fez suas primeiras obras
de integração arquitetônica. Em 1988, criou uma escultura pública
comemorativa dos 80 anos da imigração japonesa, em São Paulo,
e foi condecorada com a Ordem do Rio Branco. Aos 86 anos, a
artista nascida em Kyoto e naturalizada brasileira ainda trabalha
arduamente – chega a pintar dois ou três quadros ao mesmo tempo.
Sempre à procura de novos meios de criação, Tomie, no final
de 1999, inaugurou uma série de gravuras de metal recortadas
e montadas em vidro, numa técnica inédita. Sua pintura, em vez
de brindar a forma, privilegia a cor. “E a escultura é uma espécie
de desenho no ar”, define a artista, interessada na expressão
completa.