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| FERNANDA
MONTENEGRO |
09/07/2001
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“Não
sou referência”
A maior atriz brasileira volta às novelas, afirma ter priorizado
os filhos em vez da carreira e diz que não se sente à frente de
nada
Cecília
Maia, de Brasília
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Marcio Rezende
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Fernanda
Montenegro transmite na voz a maturidade de seus 71 anos. O tom
suave, mas firme, e a cadência pausada, de quem reflete antes
de emitir opiniões, têm o peso de seus 51 anos de carreira,
58 peças, 12 filmes, 12 novelas e alguns prêmios, além
de uma inédita indicação ao Oscar de melhor
atriz para uma brasileira. Casada há quase 50 anos com o
ator Fernando Torres, mãe da atriz Fernanda Torres, e de
Cláudio, sócio da Conspiração Filmes,
avó de dois netos, ela nasceu no subúrbio carioca
de Campinho. Filha de um operário da Light e de uma dona
de casa, foi batizada Arlete Pinheiro Esteves. Escolheu Fernanda
por que achava o nome bonito e Montenegro em homenagem
a um médico amigo da família. Embora negue, seu discurso
sempre foi politizado. Coisa de quem pertenceu a uma geração
que sofreu com duas ditaduras: a de Getúlio e a dos militares.
A censura sobre nós era total. Ou a gente lutava, ou
morríamos, diz ela. Em tempos amenos, a escolha de
Brasília para começar a turnê de sua peça
mais recente, Alta Sociedade, de Mauro Rasi, uma comédia
de crítica política e de costumes, é mera coincidência.
É
bom trazer peças com críticas políticas para
Brasília?
Não tenho engajamento político. As minhas pobres opiniões
são as de uma cidadã apenas, que está aí,
desligando o que pode dentro de casa. Essa situação
não é agradável, é ameaçadora,
é constrangedora e amedrontadora. Nossa atividade não
é de caráter prioritário, por isso vamos ter
de entrar no palco com a luz de cena com resistência mais
baixa. Tudo o que falo sobre o governo vem dessa vivência
do dia-a-dia.
Mas
você foi quase ministra...
Isso parece nome de comédia.
...
e acabou não aceitando, apesar de ser uma pessoa politizada.
O que aconteceu?
Não tenho preparo e nem vivência política para
encarar um ministério. Vamos pôr as coisas nos devidos
lugares. O convite foi uma gentileza do presidente Sarney, que num
determinado momento se lembrou de uma mulher e de uma atriz.
E
hoje?
Hoje muito menos. Eu seria um pudim de festa.
próxima
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